'É uma disputa injusta', diz corredora sobre estrangeiros em competições

11/11/2013 10:20

Conceição Oliveira encabeça movimento que pede revisão no número de atletas fora do país no Circuito de Corridas de Rua e renovação na modalidade

O bom senso chegou aos corredores de rua. Inspirados no movimento de jogadores que reivindica melhorias no futebol do país, atletas profissionais do Circuito Nacional de Corridas de Rua se organizam para lançar propostas de um novo calendário e limitar a presença de estrangeiros nas provas nacionais à Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). A piauiense Conceição Oliveira, segunda colocada no ranking de provas da temporada, é a representante dos quase 50 competidores que reivindicam melhorias na modalidade. Uma reunião entre técnicos, atletas e a presidência da CBAt está marcada para terça-feira (12).

O movimento iniciou em Ribeirão Preto, durante etapa do Circuito Nacional de Corridas. Um abaixo-assinado foi lançado pelos atletas, que pedem uma revisão no número de estrangeiros em competições. Atendendo a resoluções da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo), as corridas nacionais de rua no Brasil determinam até três atletas estrangeiros por país. A CBAt estabelece os critérios na norma 09. Segundo Conceição Oliveira, a definição traz desvantagens e prejudica os competidores nacionais.

- Não estamos contra os estrangeiros. As provas também são o meio de vida deles, mas queríamos que a CBAt observasse a forma como funciona a vinda de estrangeiros para as competições no Brasil. A maioria deles é trazida por managers que se beneficiam desses atletas. Eles fazem revezamento dentro do país com esses corredores e ganham a maioria das etapas. Enquanto isso, corremos o todo ano a maioria das provas. É uma disputa desigual, injusta – argumenta Conceição Oliveira, tricampeã do ranking.

Segundo a atleta, os managers são empresários que avaliam os corredores de outros países e trazem entre três a cinco atletas, fazendo com que eles representem centros de treinamentos pelo período de três meses. Esses centros de treinamentos, de acordo com o relato de Conceição, acabam se beneficiando das vitórias dos corredores, pagando a eles cachês. A atleta classifica essa pratica como uma “bola de neve” e defende premiações diferenciadas para brasileiros e estrangeiros.