A dois anos das Olimpíadas, Rio de Janeiro sofre com falta de estrutura

23/11/2014 11:32

Em diferentes modalidades, times da cidade convivem com problemas em ginásios. No atletismo, previsão de retorno do Célio de Barros é julho de 2016.

 

Local das próximas Olimpíadas, o Rio de Janeiro enfrenta grave crise de estrutura para eventos esportivos. A menos de dois anos para os Jogos, os atuais campeões brasileiros de basquete e vôlei, respectivamente, Flamengo e Rio de Janeiro, tiveram que mandar recentemente suas partidas no Tijuca Tênis Clube, comportões fechados, por falta de condições mínimas para receber o público nas arquibancadas (assista ao vídeo).

- Hoje em dia, eu não verifico esse clube (Tijuca) para fazer (jogos), justamente por causa das saídas. São pequenas e as vias são estreitas. Então, os jogos de menor periculosidade podem acontecer no Tijuca, agora, determinados clássicos regionais, jogos que envolvem uma rivalidade maior, a polícia militar vai recomendar que seja utilizado um outro ginásio – afirmou o tenente-coronel João Fiorentini, comandante do Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), e responsável por entrar com a representação no Ministério Público.Para o vice-presidente de esportes olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa, o custo para mandar os jogos de basquete do clube em outros ginásios na cidade, como a Arena da Barra ou o Maracanãzinho, chega a ser sete vezes maior do que o do Tijuca Tênis Clube.

- Não é viável financeiramente. As outras opções são jogar na própria Gávea, pedir autorização excepcionalmente para esses jogos, jogar em Macaé ou em outra cidade do Rio de Janeiro – disse Póvoa.

No atletismo, a situação é ainda mais grave. Isso porque, na reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de futebol, o Célio de Barros, principal centro de treinamento e local de competições da cidade, foi destruído. Atualmente, a pista de corrida do esporte que conquistou o terceiro maior número de medalhas olímpicas para o Brasil está coberta por asfalto. Sem outro local para treinamento, o governo do estado do Rio de Janeiro desistiu de construir um estacionamento no local, porém, promete que o novo Célio de Barros seja entregue somente em julho de 2015. Poucos dias antes das Olimpíadas.

- É inacreditável termos as Olimpíadas de 2016 aqui e não termos uma pista adequada para treinamentos e competições para os atletas – comentou Arnaldo Oliveira, vice-presidente da Associação de Amigos e Atletas do Célio de Barros, e medalha de bronze nos Jogos de Atlanta, em 1996, no revezamento 4x100m.O futebol também não fica imune à crise da falta de estrutura na cidade. O único estádio olímpico do Rio de Janeiro, o Engenhão está interditado a mais de um ano e meio para reforma da cobertura e só deve ser reaberto em 2015. Como opções, os clubes podem utilizar o Maracanã ou São Januário.