Alan Fonteles erra na largada, mas vai à final dos 200m com Richard Browne.

26/10/2015 05:40

Brasil fatura quatro medalhas no Mundial Paralímpico de Doha. Gustavo Araújo leva prata, e Claudiney Batista, Izabela Campos e Jonathan Santos conquistam o bronze.

Estrela do Mundial Paralímpico de Atletismo em Lyon, na França, com três títulos, Alan Fonteles

mantém vivo o sonho de defender o ouro nos 200m T44 (amputados) em Doha, no Catar. Apesar de ter cometido um erro na largada, o paraense fez o suficiente para garantir a classificação para a final da prova, neste sábado, na pista do Qatar Sports Club. Ele fez o terceiro melhor tempo, 22s48, 12s atrás do mais rápido das eliminatórias, o americano Richard Browne (22s36), seu maior rival na briga pelo lugar mais alto do pódio. O segundo foi do também americano Hunter Woodhall (22s46). Nada que surpreendesse um dos maiores atletas paralímpicos do Brasil, que ainda se vê como o adversário a ser batido. 

- O importante era me classificar. Eu sei onde posso chegar, agora é preparar para a final. Eu não vi o Richard correndo, mas é aquele negócio: não olho os meus adversários. É correr e ganhar, sem me importar com quem está na pista. Ele está mais treinado do que eu, mas isto não vai ser desculpa para deixar escapar o Mundial. Vou brigar até o último metro, até o último suspiro para poder levar essa medalha para o Brasil. Errei na saída, mas estou feliz pelo fato de ter voltado a um Mundial. Muita gente desacreditou, e eu estou aqui novamente. Isto é para poucos. O esporte paralímpico está muito forte não só no Brasil, como no mundo. Hoje, sou o cara a ser batido. Voltei pensando nas Paralimpíadas, quero ser o nome dos Jogos do Rio - disse Alan.  

Depois de escrever o seu nome na história, seja pela histórica vitória sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200m dos Jogos de Londres 2012, pela classe T43/44, ou pelos ouros em Lyon 2013, nos 100m, 200m e 400m, o velocista teve um ano sabático. Se afastou das pistas e sentiu que precisava de descanso. Longe da forma ideal, usou a desconfiança alheia como combustível para voltar em grande estilo. Tatuou no pescoço as palavras "fast" ("rápido") e "strong" ("forte"), pensamento que traduziu o seu sentimento. Em seu retorno às pistas, no Parapan de Toronto, no Canadá, calou os que duvidaram do seu potencial com o ouro nos 200m e a prata nos 100m. 

Sinceramente, não sei o meu peso. Conversei com o meu técnico: depois desta etapa, é treinar, treinar e treinar. Mas estou bem, em um Mundial, e vou dar o meu melhor para defender meus títulos em Doha - garantiu o brasileiro.  

Richard Browne rasgou elogios ao atual campeão mundial e prevê uma disputa definida no detalhe. A decisão será neste domingo, às 11h21 (de Brasília). 

- Vai ser uma batalha do início ao fim, até cruzar a linha de chegada. O Alan é o melhor do mundo, mas eu vim aqui para ganhar. Ele está em forma novamente e eu vou dar tudo de mim. Eu tenho sido mais rápido do que ele nos 200m, mas, ele é um campeão, então, nunca se sabe - analisou o americano. 

BRASIL CONQUISTA QUATRO MEDALHAS

O Brasil fechou a conta do terceiro dia de disputas do Mundial Paralímpico de Doha com mais quatro medalhas. Gustavo Araújo conquistou a prata nos 100m (T13), e Claudiney Batista (lançamento de dardo, F57), Izabela Campos (lançamento de disco, F11) e Jonathan Santos (arremesso de peso, F41) ficaram com o bronze nas respectivas provas. O país ocupa a 13ª posição no quadro de medalhas, com um ouro, quatro pratas e quatro bronzes - nove no total.  

O primeiro a subir no pódio em Doha neste sábado veio nos 100m da classe T13 (baixa visão), com Gustavo Araújo. O mineiro fez uma disputa acirrada com o irlandês Jason Smyth, o "Bolt Paralímpico", perdendo por 10s62 a 10s90. 

Não foi exatamente o que eu esperava, porque não corri tão solto. Mas a prata está aí e é uma etapa importante para a Rio 2016. Tenho de respeitar o irlândes, que é um grande corredor, mas posso dizer que esta foi a última vez que ele chegou à minha frente. Não vai haver mais moleza, não! - revelou Gustavo, que treina em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.   

A conquista de Claudiney, por sua vez, foi marcada pela emoção até os instantes finais. Foi apenas na última rodada que o brasileiro alcançou a melhor marca da carreira (41,70m) para garantir o bronze, superando o senegalês Youssoupha Diouf. O sírio Mohamad Mohamad (41,85m) conquistou a prata, e o iraniano Mohammad Khalvandi (43,76m) sagrou-se campeão.

Izabela Campos precisou lidar com adversárias de alto calibre para beliscar um lugar no pódio do Qatar Sports Club. Uma das maiores potências do esporte paralímpico, com cerca de 170 milhões de deficientes, a China teve duas representantes no primeiro e no lugar do pódio. A brasileira atingiu o feito com a marca de 29,95m em seu segundo lançamento do disco. Jonathan Santos completou o dia com mais um bronze, desta vez, no arremesso de peso F11: 12,32m. 

Maior medalhista brasileira em Mundiais, com oito ouros e duas pratas, Terezinha Guilherminadominou as eliminatórias dos 200m rasos T44. Thalita Simplício queimou a largada e foi desclassificada, mas o Brasil ganhou outra representante nas semifinais: Jhulia Karol. A briga por um lugar na final será domingo, às 6h28, com a decisão marcada para 10h07. Yohansson Nascimento também poderá lutar por medalhas nos 200m T47. O seu principal rival, Petrúcio Ferreira, voltou a sentir a lesão na coxa direita e ficou fora do Mundial. 


O melhor está por vir. Corri solto, mas amanhã vou correr mais forte e melhor. Segui as ordens do meu treinador, que era correr forte na curva e soltar na reta. Estou adequando uma nova técnica de corrida, sem colocar força nas costas. E acredito que amanhã estarei bem melhor. Viemos aqui para levar três títulos. Queremos o ouro, estamos na terra do ouro e vamos buscá-lo - revelou Terezinha, que mudou a forma de correr para aliviar as dores que a incomodavam. 

Os 39 paratletas convocados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) ocupam atualmente o top 4 do ranking mundial e têm chances reais de medalha na principal competição da modalidade neste ano. Em Lyon, o Brasil terminou em terceiro lugar no quadro geral de medalhas, com 40 pódios: 16 ouros, 10 pratas e 14 bronzes. A competição em Doha está sendo disputada até o dia 31 de outubro, com a presença de 1.315 atletas, incluindo os guias, de 88 países.

PROGRAMAÇÃO DOS BRASILEIROS NO DOMINGO

4h36 - Elizabeth Gomes – final do arremesso de peso (F54) 
6h28 - Jhulia Karol e Terezinha Guilhermina – semifinais dos 200m (T11)
6h34 - Alice Corrêa – semifinal dos 200m (T12)
10h07 - Jhulia Karol e Terezinha Guilhermina – final dos 200m (T11)*
11h14 - Tascitha Cruz – final dos 200m (T36)
11h21 - Alan Fonteles – final dos 200m (T44)
12h - Gustavo Araújo - semifinal dos 200m (T13)
12h25 - José Humberto Rodrigues – final do lançamento de dardo (F54) 
12h29 - Alice Corrêa – final dos 200m (T12)*
12h55 - Yohansson Nascimento – final dos 200m (T47)
13h52 - Daniel Mendes e Felipe Gomes – eliminatórias dos 400m (T11) 
16h19 - Renata Bazone – semifinal dos 1500m (T11)