Após escândalo de doping, federação russa anuncia seu novo presidente

17/01/2016 17:47

Ex-técnico de rúgbi e atletismo, Dmitry Shlyakhtin tem a missão de promover grande reforma na entidade, acusada de acobertar atletas flagrados em exames antidoping.


Envolvida em um grave escândalo de doping, que culminou na suspensão do país das competições internacionais, a  Federação de Atletismo da Rússia (Araf) anunciou, neste sábado, o nome do seu novo presidente. Ex-técnico de rúgbi e atletismo e atual ministro dos esportes da região de Samara, Dmitry Shlyakhtin foi o escolhido pelo governo russo para comandar a reforma do atletismo do país.

 

A eleição de Dmitry Shlyakhtin faz parte de um pacote de mudanças prometidas pelo ministro Vitaly Mutko para que o país volte a participar de competições internacionais de atletismo, dentre elas o Rio 2016.

Shlyakhtin comandará um gabinete anticrise, item essencial da reformulação que será apresentada à Federação Internacional de Atletismo (IAAF), em março, quando haverá uma reunião na entidade máxima do esporte.

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- A missão é simples: recolocar o atletismo russo a nível internacional e retomar o diálogo com a IAAF e a WADA (Agência Mundial Antidoping). Acho que não teremos muitos problemas quanto a isso, pois a maioria dos nossos atletas já estão conscientizados - afirmou Dmitry Shlyakhtin em seu discurso de posse.

Na última semana, documentos revelados pela Associated Press (AP) provam que até 2009 grande parte dos atletas russos estavam sob efeito de doping sanguíneo. Aquele foi ano do lançamento do passaporte biológico, um arquivo com todos os resultados dos testes de doping de atletas profissionais. 

Ainda de acordo com a agência americana, em outra correspondência enviada antes dos Jogos Olímpicos de Londres de 2012, a IAAF fazia uma proposta à Federação de Atletismo da Rússia, em que seriam "discretos" com casos de doping  de atletas russos menos conhecidos. Se aceitassem o acordo, os atletas poderiam ser removidos das competições sem a publicação da sanção, e ainda teriam uma suspensão de dois anos, em vez de quatro.