"Atenção, trapaceiros!": IAAF evita detalhes sobre estratégia antidoping

20/08/2015 17:55

Sem confirmar número de atletas que serão testados no Mundial de Pequim, entidade diz focar em qualidade em vez da quantidade de exames.


A manchete é impactante, tratando-se de um site oficial: "Atenção, trapaceiros!". Diante da repercussão negativa sobre a realização de exames antidoping em apenas um terço dos participantes do Mundial de Pequim, a Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) publicou uma nota oficial sobre a estratégia de testes durante a competição. Sem afirmar o número total de competidores submetidos à verificação, limitando-se a relatar o foco em medalhistas, a entidade preferiu enfatizar a importância do acompanhamento dos atletas em período de treinamento e de obtenção de índices.

A informação de que apenas entre 600 e 700 dos mais de 1900 participantes do Mundial de Pequim seriam testados foi divulgada pelo jornal britânico “The Guardian”. Em meio ao maior escândalo de doping da história da IAAF, apontada pelo jornal “Sunday Times” e pela emissora “ARD/WRD” como suspeita de encobertar atletas infratores, a informação não foi bem digerida pela comunidade do atletismo.

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A entidade se defende afirmando que o programa de exames para Pequim não se limita aos nove dias do Mundial, tendo começado na verdade seis meses antes com os atletas que tinham probabilidade de competir na China.

Apesar de em Moscou, sede da edição de 2013, todos os inscritos terem sido submetidos a testes antidoping, a IAAF afirma que houve pouca mudança entre as duas estratégias, mas que é preferível focar na qualidade do que na quantidade.

Confira abaixo os principais trechos do comunicado:

“O ponto chave é que a parte central do programa de testes realmente começou há mais de seis meses. O programa de testes fora de competição da IAAF nos últimos seis meses foi focado em atletas prováveis de competirem em Pequim. O momento mais importante para testar tantos atletas é fora da temporada, quando treinamentos pesados são realizados. Esta estratégia não é segredo. Mas é sempre mais simples para os esportes acumular testes durante um evento e chamar este programa antidoping de sucesso. 

Mas a realidade no atletismo está longe deste cenário. Os testes em Pequim serão importantes, mas nada perto de quão importante é o programa fora dos períodos de competição, conduzido nos seis meses precedentes ao evento, ou antes. Este programa é conduzido com inteligência e especificamente focado em fatores de risco conhecidos sobre doping.

(…)

Para manter a integridade do programa, a IAAF não revela sua estratégia de teste para o evento. Basta dizer que incluirá testes tanto antes quanto durante a competição. Haverá uma quantidade significativa de testes, mas a ênfase do programa é maior na qualidade do que na quantidade.

Testes focarão em medalhistas, mas certamente estes não serão os únicos atletas que serão testados. Novamente, a IAAF usará toda a inteligência que tem à disposição para direcionar os testes onde acreditar que sejam mais necessários. Adicionalmente, é importante pontuar que a Iaaf vai armazenar amostras deste evento para futuras reanálises.

(…) 

Em comparação com o Mundial de Moscou) Não há diferenças significativas, mas há algumas pequenas e importantes diferenças. A IAAF continua a construir a base de dados para o passaporte biológico. Isto significa que temos mais perfis para guiar os testes, o que nos ajuda a determinar onde e quando os exames ocorrerão.

Uma novidade desde Moscou é a adição do componenteESTEROIDE(urina) do passaporte biológico."