Cabral decide manter e espera recuperar o estádio Célio de Barros

05/12/2013 12:19

Esta foi a segunda reunião para decidir o destino do estádio de atletismo.
Governador diz que pedidos da Justiça e desejo popular foram decisivos.

O governador Sérgio Cabral disse que, nesta sexta-feira (2), em função de "pedidos da Justiça e do desejo da sociedade civil", vai paralisar as obras de demolição no Estádio Célio de Barros. Ele espera que o Consórcio Maracanã possa recuperar o estádio de atletismo. O presidente do consórcio, João Borba, disse que vai ter de reestudar os planos de negócios e investimentos no complexo esportivo, que seriam da ordem de R$ 600 milhões para transformar o local em área de entretenimento, esporte e lazer.

O Consórcio Maracanã terá um prazo de 15 a 20 dias para decidir se vai aceitar as novas condições do projeto e se vai recuperar o Estádio Célio de Barros e o Parque Aquático Júlio Delamare, que pelo projeto original seriam demolidos. O anúncio de que o Júlio Delamare não seria mantido foi feito pelo governador dia 29.De acordo com cálculos da Federação de Atletismo, a recuperação da pista e dos equipamentos do Célio de Barros seria da ordem de R$ 8 milhões, sem contar a necessidade de uma reforma estrutural das arquibancadas, que segundo Cabral, estão comprometidas desde 2001.

Recuperados, tanto o Célio de Barros quanto o Júlio Delamare seriam administrados pelo Governo do estado.

Suspensão das obras
Segundo Cabral, a Justiça e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) solicitaram judicialmente a suspensão das obras de demolição do estádio de atletismo e até passou a se falar num possível tombamento do complexo. Atualmente, somente o ginásio do Maracanãzinho é tombado, assim como o próprio Maracanã.

"Esses fatos surgiram e nem eu nem meu governo vamos tomar nenhuma decisão acima da lei e da Justiça", disse o governador, que destacou que o projeto original do complexo previa a construção de um grande equipamento de entretenimento, esporte e lazer para toda a região do Maracanã, Tijuca e Mangueira.

O projeto original do complexo previa a demolição do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio Célio de Barros, que seriam reconstruídos numa área do Exército, em São Cristóvão, na Zona Norte, do outro lado da linha do trem, em frente ao Estádio Maracanã. O consórcio que administra o complexo também deveria demolir o presídio do Galpão da Quinta, em São Cristóvão, e construir outras quatro unidades prisionais com 500 vagas cada uma, em Gericinó, na Zona Oeste do Rio.

"Fui surpreendido. Temos um plano de negócios e de investimentos que depende da receita dos jogos no Maracanã, e que também contaria com receitas acessórias, que viria da exploração de museu, lojas, restaurantes, estacionamentos e que levariam 12 anos para repor nosso investimento", disse Borba.

O futuro do Estádio de Atletismo Célio de Barros foi decidido depois de uma reunião de duas horas de duração entre o governador Sérgio Cabral, o presidente da Federação de Atletismo do Rio, Carlos Alberto Lancetta, secretários Régis Fichtner e André Lazaroni, o vice-governador Luiz Fernando Pezão e o presidente do Consórcio Maracanã, João Borba, no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na Zona Sul da cidade.