Campeão olímpico diz que apoiaria boicote contra o Mundial do Catar

22/11/2014 01:27

Em entrevista à "BBC", Greg Rutherford, campeão do salto em distância em Londres 2012 diz que o abuso contra os imigrantes que trabalham nas obras é desumano.

 
Campeão olímpico no salto em distância em Londres 2012, o britânico Greg Rutherford entrou de sola na polêmica escolha de Doha, no Catar, como sede do Mundial de atletismo de 2019. Em entrevista ao site da "BBC", o atleta garantiu que apoiaria e faria parte de qualquer tipo de boicote contra a competição por conta das condições de trabalho dos imigrantes, situação já denunciada no que diz respeito às obras dos estádios da Copa do Mundo de 2022.

- Ninguém deveria perder a sua vida para a criação de uma arena esportiva. Eu gostaria de saber que todas as pessoas envolvidas com as obras e os trabalhos estejam dentro das leis - disse Rutherford.

Segundo ele, atletas e a Federação Internacional devem tomar posição caso surjam notícias de abusos contra os trabalhadores e imigrantes em Doha. 

- Nós não estamos mais nos anos negros. Precisamos ter certeza de tudo isso. Essa é a única chance de mudar as pessoas é não indo ao evento. Se algum atleta sentir-se forte o suficiente para não ir ao evento, eu estarei junto - frisou.

Campeã britânica dos 10.000m, Jo Pavey tem o mesmo pensamento que Rutherford. Para ela, o esporte fica atrás de problemas como esse.

- Os direitos humanos estão à frente e são mais importantes que o esporte. Para nós atletas, é muito difícil não ter a opção de opinar sobre onde o Mundial será disputado - disse Pavey.

O anúncio de Doha foi feito nesta terça-feira, após reunião do conselho da entidade, em Mônaco. A cidade derrotou as candidaturas de Barcelona (ESP) e Eugene (EUA). Na primeira rodada de votação, Doha recebe 12 votos, Eugene nove e Barcelona seis. Já na segunda etapa, a cidade do Catar somou 15 votos contra 12 da cidade americana. A vitória de Doha gerou rapidamente uma denúncia. Segundo o presidente da Federação Espanhola de Atletismo, José Maria Odriozola, a candidatura de Doha teria acrescentado 37 milhões de dólares (cerca de R$ 96 milhões) ao seu projeto depois do prazo legal para definir o orçamento.

O Catar vem enfrentando problemas e denúncias de compra de votos na eleição para sediar o Mundial. A Fifa, por exemplo, pretende mudar a disputa do Mundial para o inverno, por conta das altas temperaturas na região durante o verão. A ideia, porém, não é aprovada pelos árabes. 

Além disso, o Catar vem enfrentando constantes denúncias sobre as condições de trabalho e a utilização de trabalho escravo nas obras para a Copa do Mundo. Sobre tudo isso, Saoud bin Abdulrahman Al-Thani mostrou um discurso de tranquilidade.