Campeão olímpico ganha rim da irmã para superar doença e mira Rio 2016.

06/01/2016 05:05

Quatro dias após bronze nos 110m com barreiras do Mundial de Pequim, Aries Merritt fez transplante e já treina em busca do bi nas Olimpíadas: "Esperando 2016 mágico"

Do ouro olímpico nos 110m com barreiras dos Jogos de Londres 2012 e recorde mundial ao diagnóstico de uma rara doença renal e hereditária, em 2013, Aries Merritt foi do céu ao inferno. Sabia que poderia nunca mais correr, mas não se deixou levar pela depressão. Quatro dias depois de conquistar o bronze

 no Mundial de Pequim, no dia 28 de agosto de 2015, na China, o americano renasceu ao receber o rim de sua irmã, LaToya Hubbard. A delicada cirurgia de transplante realizada na Clínica Mayo, na cidade americana de Phoenix, no Arizona, foi um sucesso. Merritt agora se recupera em sua casa, no Texas, e já iniciou os treinos para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

 

Quando me contaram que eu tinha uma doença de rim, eu fiquei de coração partido - disse Aries Merritt em uma entrevista à Federação Internacional de Atletismo (IAAF), em agosto.

- Não estar apto a fazer o que eu sempre amei tanto fazer foi tão doloroso quanto saber lidar com isso. Eu neguei e, por um tempo, fiquei muito deprimido. Fiquei feliz por terem diagnosticado o problema, mas eu não entendia por que isso tinha acontecido comigo depois de uma temporada tão fantástica em 2012 - acrescentou o atleta de 30 anos. 

Desde que despontou nas pistas, Aries foi logo apontado com uma das grandes promessas da nova geração dos Estados Unidos, principalmente, após a medalha de ouro no Mundial Júnior de Grosetto. Em 2012, viveu o auge. Campeão mundial indoor nos 60m com barreiras em Istambul, na Turquia, ele conquistou ainda o ouro olímpico nos 110m com barreiras das Olimpíadas de Londres e, dias depois, o recorde mundial na Diamond League, em Bruxelas, na Bélgica. 

No ano seguinte, Merritt recebeu o diagnóstico de um vírus hereditário, encontrado predominantemente em americanos de origem africana. Os seus rins também estavam sendo atacados pelo parvo-vírus B16, que também atingiu a medula óssea e provocou uma série de problemas em seu corpo. Ele se internou em 2013 e só saiu do hospital em abril de 2014. A única salvação era o transplante. A irmã, além de compatível, não havia herdado a doença e se prontificou a ajudar o atleta. O bronze no Mundial teve sabor de ouro, mas veio acompanhado pelo medo de não poder mais competir em alto nível devido à cirurgia. 

- Meu objetivo em Pequim era como o de todos: ganhar e me tornar campeão mundial. Mas, na minha condição, quando tudo parece estar contra mim, ter chegado à final e conquistado uma medalha superou as minhas expectativas. Os últimos anos foram difíceis para mim, mas eu espero inspirar as pessoas que tiveram doenças que mudaram as suas vidas a não desistirem e insistirem em seus sonhos - acrescentou à IAAF. 

 

Aos poucos, Aries Merritt vai voltando à forma ideal. Os treinos na academia e nas pistas ainda têm algumas precauções, mas o planejamento para o Rio 2016 está desenhado. O americano já estará totalmente recuperado e será um dos favoritos para os 110m com barreiras. Otimista, ele postou em seu perfil do Instagram um registro de seu trabalho, no primeiro dia do ano. 

- Último treino do ano, 2015 foi absorvente. Esperando um 2016 mágico.