Caso de maratonista queniano alerta para seus perigos

31/05/2014 13:34

Eliud Magut vive calvário ao dar sinais de exaustão pelo esgotamento das reservas de carboidratos.

 

Na maratona da cidade de Pádua no final do mês de abril, o queniano Eliud Magut protagonizou mais uma daquelas cenas dramáticas que o esporte proporciona. No trecho final da prova, o atleta mostrava sinais cada vez mais evidentes de falência funcional, caindo e levantando sucessivamente num esforço desumano para terminar o percurso.

Acompanhando seu sofrimento, seu técnico estimulava o atleta a levantar cada vez que ele caia, incentivando-o a fazer de tudo para terminar a prova. A equipe médica limitava-se a acompanhar seu verdadeiro calvário, e só atendeu o atleta retirando-o da prova e finalmente proporcionando o atendimento médico e a hospitalização quando ele se mostrou totalmente incapaz de ficar em pé.

Estas cenas causam grande comoção e são sempre associadas com atos de heroísmo e superação. Entretanto, por trás da dramaticidade, existe o enorme risco de vida que corre um atleta numa situação como essa. A equipe médica teria obrigação de intervir antes, obrigando o atleta a abandonar a prova, e reprimindo duramente a atitude irresponsável do treinador.Quando um atleta mostra os sinais de exaustão extrema e falência funcional no final de uma prova longa como uma maratona, vários perigos estão pondo em risco sua saúde. Certamente uma séria condição de desidratação deve estar presente, pior ainda, associada à temida hiponatremia, que é uma diminuição perigosa do nível de sódio no sangue, capaz de trazer os sintomas de prejuízo de coordenação motora como os observados no corredor queniano, quadro que tende a evoluir para uma lesão neurológica.

Além da desidratação e da hiponatremia, a exaustão é sempre também associada à hipoglicemia, que caracteriza a falência da produção de energia por esgotamento das reservas de carboidratos, levando à redução do nível de açúcar do sangue e ameaçando perigosamente a integridade do sistema nervoso.

 

 

 

O ciclo perigoso de eventos da exaustão extrema se fecha com a tendência do atleta aumentar sua temperatura corporal, pois a desidratação torna cada vez mais difícil perder o calor produzido pelo exercício.

A combinação simultânea destes eventos pode ser fatal. O que aumenta muito o risco é a enorme tolerância que o atleta adquire ao desconforto, suportando níveis de sofrimento muito extremos. Entretanto, apesar de ter toda esta tolerância física, suas células nervosas possuem a mesma vulnerabilidade que um indivíduo comum, pois não se tornam “blindadas” pelo efeito do treinamento.

Permitir que um atleta sofra o que o queniano sofreu é uma atitude que deveria ser duramente criticada e os responsáveis severamente punidos. Existe um limite muito tênue para um herói se tornar um mártir nestas circunstancias!