Com 1º ouro em Parapans, Fonteles puxa show de velocistas do Brasil

14/08/2015 23:19

Após prata nos 100m rasos, velocista biamputado vence os 200m rasos e desabafa: "Esse ouro representa calar a boca de muita gente que não acreditou em mim".

Na raia ao lado, um único adversário para Alan Fonteles. Ainda assim, o velocista biamputado ficou um pouco nervoso antes de disparar para os 200m rasos, prova em que é campeão paralímpico, dono do título mundial e recordista mundial com a marca de 20s66. Sobre seus ombros, o peso de várias críticas e incertezas depois de um ano sabático. O brasileiro colocou tudo de lado nesta sexta-feira e arrancou na reta final para vencer o americano David Prince nos Jogos Parapan-Americanos. E não foi o único titulo verde-amarelo nas provas de velocidade do dia: Mateus Evangelista, Petrúcio Ferreira, Verônica Hipólito e Terezinha Guilhermina completaram a lista - a última levou dois ouros nesta sexta. O revezamento 4x100m verde-amarelo também levou o ouro. O Brasil ainda foi campeão com Odair dos Santos e Yeltsin Jacques, nos 1.500m. Alan, porém, foi o único a conquistar sua primeira medalha de ouro em Parapans.

- Eu corri contra esse mesmo atleta em Guadalajara e perdi para ele, fiquei com a prata, aqui pude dar o troco e ganhar meu primeiro ouro. Esse ouro representa calar a boca de muita gente que não acreditou em mim. Que disse que eu não voltaria, que disse que eu estava metido, que eu não voltaria a ser o melhor. Acho que estou começando a voltar. Essas pessoas que falaram isso de mim, agora vão ter de parar para pensar antes de falar. Isso só me motiva cada dia mais. Tenho meus patrocinadores, que ficaram do meu lado, acreditaram no meu potencial, não deram ouvidos para as notícias que saíram - disse Alan.

O campeão paralímpico até pôde desacelerar a alguns metros da linha de chegada e ainda assim quebrou o recorde parapan-americano da classe T43 (para biamputados), com o tempo de 22s08 (vento contra de 1,6 m/s), seu melhor desde que retornou do período sabático pós-Mundial de 2013 - o americano completou a prova em 22s69 e ainda tentou levar o ouro em um protesto de Joaquim Cruz, alegando que Alan havia pisado na linha, mas os árbitros confirmaram o resultado. O brasileiro é agora o segundo colocado do ranking mundial da classe unificada T44, que conta com paratletas amputados em uma perna - as duas categorias serão unificadas também no Mundial de Doha, em outubro, e nas Paralimpíadas de 201. Ele só está atrás do americano Richard Browne (21s88), que não pôde disputar o Parapan de Toronto por problemas familiares.

- Consegui correr perto dos 21s, que era o que eu pretendia. São pequenos grandes detalhes que vou arrumar para chegar ao Mundial. Eu segurei um pouco no final. Eu me senti bem, fiquei um pouco nervoso pelo fato de ser minha primeira grande competição internacional depois do meu retorno, mas consegui levar esse ouro para o Brasil. Saio bem fortalecido, foi uma preparação para o Mundial. Serviu para ter a certeza que posso chegar bem à Doha.

Alan Fonteles dedicou o ouro à esposa Lorranny Moura, quem ele afirma ser seu pilar no retorno às pistas. O velocista biamputado afastou dos ombros a pressão das incertezas restavam sobre seu desempenho, sobre sua condição física, ainda um pouco acima do peso ideal - chegou a estar com 74kg em seu ano sabático, seis a mais do que considera ideal. Alan ainda não está na forma física que deseja, mas acredita estar no caminho certo para o Mundial de Doha. O campeão paralímpico mal terá tempo para comemorar seu primeiro ouro parapan-americano. Na segunda-feira ele já começa a treinar de olho na competição no Catar.

Alan não foi o único brasileiro a brilhar nas provas de velocidade nesta sexta. Campeã dos 100m rasos T11 (perda total da visão) na terça-feira, Terezinha Guilhermina abriu a contagem de ouros do dia com o título dos 200m rasos e ainda teve fôlego para vencer os 400m rasos - ela bateu o recorde parapan-americano nos 200m, com 24s89. Petrúcio Ferreira também quebrou o recorde da competição nos 200m rasos T47 (amputados de membros superiores) e ficou a apenas três centésimos do próprio recorde mundial. Na mesma prova, mas na classe T37 (paralisia cerebral), Mateus Evangelista conquistou seu terceiro ouro em Toronto - já havia vencido o salto em distância e os 100m rasos.

Verônica Hipólito, por sua vez, venceu os 400m rasos T38 (paralisia cerebral), com direito a recorde das Américas. Ela completou a prova em 1m03s42 para conquistar sua quarta medalha em Toronto, a terceira de ouro - foi campeã também nos 100m e nos 200m rasos e ficou com a prata no salto em distância. O revezamento 4x100m rasos T11/12 (perda total de visão e baixa visão) fechou o show brasileiro nas provas de velocidade com o recorde das Américas. Lucas Prado, Gustavo Araújo, Diogo Jerônimo e Felipe Gomes completaram a prova em 43s31.

Odair dos Santos, que perdeu o ouro dos 5.000m T11 por uma estranha desclassificação, liderou de ponta a ponta os 1.500m para conquistar seu título em Toronto. Yeltsin Jacques venceu a mesma prova, só que na classe T12, para paratletas com baixa visão - ele já havia levado o ouro nos 5.000m.

OUROS
Terezinha Guilhermina - 200m rasos - T11
Alan Fonteles - 200m rasos - T44
Mateus Evangelista - 200m rasos - T37
Petrúcio Ferreira - 200m rasos - T47
Odair dos Santos - 1.500m - T11
Yeltsin Jacques - 1.500m - T12
Verônica Hipólito - 400m rasos - T38
Terezinha Guilhermina - 400m rasos - T11
Lucas Prado, Gustavo Araújo, Diogo Jerônimo e Felipe Gomes - 4x100m rasos - T11/12

PRATAS
Tascitha Oliveira - 100m rasos - T36
Thalita Simplício - 200m rasos - T11
Alice Corrêa - 200m rasos - T12
Yohansson Nascimento - 200m rasos - T47
Thalita Simplício - 400m rasos - T11
Ariosvaldo Fernandes (Parré) - 400m rasos - T53

BRONZES
Paulo Pereira - 200m rasos - T37
Raissa Machado - lançamento de dardo - F55/56
Jerusa Gerber - 400m rasos - T11