Contra corrupção, quenianos ocupam sede da Federação de Atletismo.

25/11/2015 06:33

Vice-presidente da entidade nega acusações, e governo critica "leis da selva".

Um grupo de atletas ocupou a sede da Federação de Atletismo do Quênia, em Nairobi, nesta segunda-feira, para protestar contra a administração da entidade, acusada de corrupção envolvendo acobertamento de casos de doping e apropriação indevida da verba de um patrocinador. Nesta terça-feira, alguns ocupantes que permaneciam no local foram ouvidos por um representante do governo.

- Não vemos a hora de sermos liderados por atletas. Por quem entende a dor de correr – disse o organizador do protesto, Julius Ndegwa.

Vice-presidente da entidade e principal alvo das denúncias de desvio de verbas pagas à federação pela Nike, David Okeyo negou todas as acusações e ironizou a presença dos manifestantes, ressaltando que o protesto o impossibilitaria de comparecer a reuniões marcadas justamente para resolver os problemas dos quais eles reclamavam.

- Atletas sérios estão treinando, não tem tempo para esse tipo de demonstração – disse Okeyo à BBC.

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Nesta terça, o comissário de esportes do Quênia, Gordon Oluoch, disse à BBC apenas que tentaria resolver as queixas dos atletas, sem especificar que ações o governo tomaria ou citando prazos para uma posição oficial. Ele ainda criticou os atletas, dizendo que os manifestantes estavam adotando “as leis da selva” ao ocuparem o prédio da Federação de Atletismo.

- Eu acredito no cumprimento das leis. Então mesmo que os atletas tenham casos legítimos, eles devem agir dentro dos conformes da lei, e não através das leis da selva – disse Oluoch.

Além do escândalo envolvendo a verba de patrocínio, a Federação de Atletismo do Quênia está sob investigação devido às suspeitas da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) sobre a falta de uma política séria no combate ao uso de substâncias proibidas. A entidade negou as acusações de corrupção e disse que não tem medido esforços em prol do esporte limpo. E ainda prometeu investigar os casos em que foram flagradas substâncias proibidas.