Corredora que teve a perna amputada por bomba em Boston corre maratona

21/04/2015 12:13

Sobrevivente do atentado que feriu 264 e deixou 3 mortos após explosão de 2 bombas, em 2013, Rebekah Gregory renasce ao cruzar linha de chegada: "Ganhei vida de volta".

 

A lembrança do dia 15 de abril de 2013 segue cristalina na memória de Rebekah Gregory. Uma das sobreviventes do atentado que deixou 264 feridos e matou três pessoas pela explosão de duas bombas na Maratona de Boston, nos Estados Unidos, a americana passou por 17 cirurgias até amputar a perna esquerda. Ela estava acompanhada por familiares e torcia pela mãe de seu noivo perto na linha de chegada quando foi atingida. Dois anos depois, a jovem de 28 anos venceu o medo e, com uma prótese, disputou a edição de 2015 da tradicional maratona. "Este é o dia... Que terei a minha vida de volta", declarou Rebekah nas redes sociais, antes do desafio. Por recomendações médicas, ela optou por correr as últimas três milhas do percurso de 42 km, o equivalente a 4,8 km. 

Debaixo de chuva e embalada pelo som de dezenas de pessoas gritando o seu nome, Gregory cumpriu a sua missão. No ano que vem, ela espera completar todo o percurso, sem nunca se deixar abater pelos obstáculos da vida. Afinal, se sente abençoada por estar no mundo.

- Eu tenho duas escolhas: posso ficar triste e com raiva pelo que aconteceu comigo, ou eu posso me sentir abençoada por ter sempre a lembrança diária de que a vida é curta e eu ainda estou aqui - disse Rebekah em uma entrevista para a rede americana "CBS". 

A Maratona de Boston, na última segunda-feira, provocou um clima de comoção na cidade americana, com uma série de homenagens e segurança reforçada. A disputa masculina terminou com o mesmo campeão do ano da tragédia, o etíope Lelisa Desisa, enquanto a queniana Caroline Rotich foi a mais rápida entre as mulheres. No ano passado, quando o ataque completou um ano, outras vítimas fizeram um tributo na linha de chegada. Assim como Rebekah, alguns dos 260 feridos também sofreram amputações. A americana conta que foi tomada pela emoção assim que começou a correr a maratona. Ao olhar as milhares de pessoas à sua volta, não teve como não voltar ao dia do acidente. Rebekach estava ao de seu filho, Noah, que tinha apenas cinco anos na época. Os dois ficaram feridos, mas o filho não teve nenhuma lesão grave e foi um dos maiores incentivadores para que a mãe fosse às pistas. Em um desenho, ele ilustrou seu apoio: "Vai, vai, vai, vai, mãe! Te amo". 

RECOMEÇO

Após o atentado, Rebekah casou com o noivo, Pete Dimartino, em abril de 2014. No entanto, o casamento terminou em fevereiro. Ela decidiu amputar a perna esquerda em novembro do ano passado e não tem nenhum arrependimento, pois sabe que foi para o seu bem. Antes da cirurgia, Gregory se deu de presente um dia de princesa como despedida, com direito a unhas coloridas nos pés. Na parte que estava necrosada, escreveu com um pilot: "Não é você, sou eu". Me dei um último dia de pedicure... E aproveitei porque no dia seguinte eu ia tirar aquela perna da minha vida para o meu bem - escreveu a americana em seu Facebook. 

A americana optou pela difícil escolha porque já estava cansada das constantes dores na perna e precisava se medicar a cada quatro horas. 

Passava a maior parte do tempo imóvel em uma cadeira de rodas. Totalmente certa da decisão, amputou a perna e começou a treinar com sua prótese no Texas, onde vive com o filho. 

Rebekah estava determinada a correr toda a maratona, mas os médicos disseram que ela ainda não estava pronta. Segundo eles, Gregory poderia causar ainda mais estragos ao correr os 42 km, tendo que voltar mais uma vez à sala de cirurgia. E ao cruzar a linha de chegada, a corredora teve um novo começo. Tive que me comprometer (correr os 4,8 km), apesar de não ser muito boa nisso às vezes. Foi muito difícil. Quando eu cruzei a linha de chegada, eu ganhei a minha de volta - revelou à "CBS".

Os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev foram apontados pelas autoridades americanas como os autores do crime, utilizando bombas artesanais. Segundo as investigações, os dois carregavam mochilas com bombas caseiras. Tamerlan, inclusive, foi morto em um tiroteio com policiais. Os irmãos, nascidos na Chechênia, teriam cometido o ato terrorista para que a região seja declarada independente da Rússia.