Corrida em Curitiba troca água pela cerveja e diverte os participantes

03/05/2014 10:26

Segunda edição da "Drink and Run" mistura uma corrida de cinco quilômetros com cinco copos de chope. A intenção não é vencer, e nem chegar sóbrio.

Sábado à tarde. Pausa para uma tarefa que mistura exercício físico com o prazer de tomar uma cerveja; duas atividades típicas do final de semana para os corredores da prova "Drink and Run" (beber e correr), que foi realizada no último sábado, em Curitiba. Quem participa não tem preocupação em conseguir tempo, recordes, ou mesmo, um bom preparo físico. O único compromisso é com a diversão e muitos risos em um percurso de cinco quilômetros.

O trajeto passou pelos bairros Campina do Siqueira e Batel, alternou retas, subidas e descidas, mas o diferencial foi a parada estratégica para tomar cerveja. Sim, tomar cerveja e correr ao mesmo tempo. Com a proposta diferente, a corrida não deixou de ser um desafio para os mais de 50 inscritos.

Logo antes da largada, os atletas já precisaram tomar um chope de 300 ml. A estrutura não é a mesma de um circuito famoso, as ruas não são fechadas por policiais, mas ninguém se importa. A simples equipe de apoio é formada por quatro batedores de bicicletas, que cuidam da segurança do grupo (e conta com a compreensão dos motoristas). Mas o que interessa é o que vem pela frente: três pontos de hidratação, sem nada de água.

O público é formado por corredores de várias faixas etárias. Sem pressa, afinal ninguém está cronometrando, e sem premiações para quem chegar antes. A única vantagem de ser o primeiro é para conseguir o copo de chope mais rápido, sem precisar ficar muito tempo na fila.

O companheirismo e a camaradagem são outras marcas da corrida, que está na sua segunda edição curitibana. Em cada ponto de hidratação, todos esperam o último participante terminar o seu gole antes de prosseguir. A calma é tanta, que alguns espertinhos até conseguiram uma dose extra - está aí mais uma vantagem de ser o primeiro a chegar.

Ao longo dos cinco quilômetros, a cerveja foi distribuída no Km 1; Km 2,5 e Km 4. Os mais fervorosos nem ligaram para a ladeira de 100 metros antes do segundo posto, aceleraram assim que visualizaram a recompensa no alto da rua. Assim como um grande bar, poucos se conheciam antes, mas sem a timidez típica do curitibano. Todo mundo conversou um com o outro, entre brincadeiras e risadas.O fato inusitada chamou a atenção de moradores e pessoas que passavam pelas ruas. Muitos motoristas sinalizaram com as buzinas. Já no último ponto de cerveja, uma família se reuniu na sacada do quarto andar de um prédio na frente e assistiram a situação, que foi bem fora da rotina para um pacato sábado.

Ideia curitibana repete exemplos pelo país e promete ampliar para vinhos

A exótica corrida foi a primeira realizada em Curitiba, mas não foi novidade. Na Alemanha, terra da cerveja, é normal o corredor terminar a corrida com uma caneca de chope. A Meia Maratona de Pomerode, em Santa Catarina, repete essa tradição alemã e oferece cerveja no quilômetro 17, além da chegada. Já no estilo "correr e beber", edições parecidas foram realizadas em São Paulo, Fortaleza, Brasília e outras capitais brasileiras. Em Curitiba, a intenção é aumentar o número de corridas ao longo de 2014. A próxima já está programada para junho e promete ser diferente das anteriores, com um novo trajeto, no bairro Alto da XV.

Segundo o organizador Rafaelo Antoniassi, uma das propostas não é contar com mais participantes em uma mesma corrida. O número de vagas é limitado sempre a 90 corredores, em razão da organização. Mas, com uma maior oferta ao longo do ano, mais pessoas poderão participar e experimentar a sensação.

- A intenção é ter um número restrito a 90 pessoas para conseguir organizar melhor e manter um ambiente divertido, entre amigos. Só que estamos batalhando para organizar mais quatro corridas. A aceitação é boa, e cada vez mais pessoas se interessam. Vamos mudar um pouco o trajeto e achar mais opções para sempre motivar o pessoal, além do diferencial que é a cerveja - contou.

Além da próxima edição em junho, Antoniassi revelou que a intenção é abrir inscrições para agosto, outubro e dezembro. O grupo de organizadores pensa em até mudar o foco e sair da cerveja, explorando outro caminho etílico, como uma edição da Wine Run curitibana (Corrida do Vinho).

Cerveja faz bem ou contrasta com a corrida?

Porém, uma corrida tão diferente sempre desperta a incredulidade de alguns. Afinal, não faz mal relacionar cinco copos de cerveja com uma corrida? Estudos recentes apontam que se a cerveja for consumida com moderação pode trazer vários benefícios para a saúde - principalmente se for sem álcool. Uma pesquisa da Universidade de Munique, realizada no final do ano passado, mostrou redução da inflamação que causa a dor muscular e incidência de gripes e resfriados.

Para o professor de educação física e técnico de corrida de rua, Leandro Hadlich, uma corrida como a Drink and Run não pode ser levada a sério, pois não conta com um caráter de rendimento, mas diversão e descontração.

- Não é uma prova para fazer por performance, as pessoas vão lá para se divertir, não para sair bêbado. Vale lembrar que cerveja tem seus benefícios para a saúde, desde que seja consumida de forma social. Várias pesquisas mostram que cevada serve até mesmo para diminuir risco de problemas cardíacos. Então dá para dizer que é uma corrida que vai agregar duas coisas boas - analisou.