Da fazenda à São Silvestre: queniano muda de vida e puxa pelotão africano

30/12/2015 17:28

Atual campeão da Maratona de Nova York, Stanley Biwott é o favorito na prova de 15km que fecha a temporada 2015.

Uma multidão aplaudiu Stanley Biwott em Nova York. O corredor africano foi o primeiro a cruzar a linha de chegada da maratona da cidade americana no último primeiro de novembro. Entre os arranha-céus de Manhattan, ele entrava para um hall de grandes maratonistas, algo que era apenas um sonho quando começou sua carreira em 2006. Naquela época, o atleta só podia treinar no tempo livre, tinha de trabalhar em uma fazenda de laticínios para se manter. O campo ficou para trás, e Stanley agora tenta conquistar mais uma cidade para fechar um 2015 dourado. Ele puxa o favorito pelotão africano na 91ª São Silvestre, nesta quinta-feira - a elite feminina larga às 8h40 (de Brasília), e a elite masculina e os demais atletas, às 9h. A TV Globo transmite a prova de 15km ao vivo, e o GloboEsporte.com acompanha tudo de perto em Tempo Real a partir das 7h.

- Estou muito feliz de estar aqui. Foi o meu melhor ano, porque venci uma corrida importante. Foi um bom ano e sei que posso mais. Eu comecei a correr no colegial. Eu também era jogador de vôlei. Quando eu terminei a escola, eu fui trabalhar em uma fazenda e depois comecei a treinar no meu tempo livre, mas agora eu só corro. Foi um crescimento para mim. Às vezes eu sinto falta da fazenda ainda, mas quero mesmo é correr - disse Stanley.   

A Maratona de Nova York é uma das mais tradicionais do mundo e já foi vencida por duas vezes pelo brasileiro Marilson Gomes dos Santos. Só que o Quênia venceu as últimas quatro provas.   

- Foi muito importante para mim, porque a Maratona de Nova York é uma das principais do mundo. Vencer me colocou em uma nova categoria, agora sou um grande corredor. São Silvestre também pode ser muito importante para mim.

Assim como a prova americana, a São Silvestre tem sido dominada pelos africanos. Marilson foi o último brasileiro a vencer a disputa de 15km, em 2010, e Lucélia Peres foi a mais rápida entre as mulheres em 2006. Stanley nunca venceu a prova, mas já tem boas lembranças de São Paulo. Ele teve sua primeira vitória em maratonas justamente na capital paulista, em 2010, quando estabeleceu o recorde da prova (2h11s19).

- Eu me lembro de muitos torcedores me apoiando na maratona. A São Silvestre tem um percurso muito duro. Não é como qualquer outra prova. A São Silvestre é uma parte do meu treinamento para chegar às Olimpíadas. É uma grande corrida. Eu tenho de trabalhar minha velocidade, então isso me ajuda no caminho para o Rio - disse o atleta, que tem índice olímpico e ocupa a 22ª posição do ranking mundial de 2015 na maratona (42,195km), mas é apenas o 15º queniano da lista, sendo que o país pode inscrever somente três deles os Jogos de 2016.

Stanley diz que os brasileiros são fortes concorrentes, mas a briga promete ser com os rivais africanos. O etíope Dawit Admasu defende o título, enquanto o também queniano Edwin Rotich tenta retorno ao topo do pódio para conquistar o tri da São Silvestre (venceu em 2012 e 2013).

- Treinar é o único segredo. Vou dar o meu melhor. Meu alvo é vencer pela terceira vez. Meu objetivo é ser como o Paul Tergat - disse Rotich, referindo-se ao queniano que é o maior vencedor da prova, com cinco taças.

Entre as mulheres, a etíope Ymer Ayalew defende o título e tem como principais concorrentes as quenianas Caroline Komen (atual campeã da Maratona de São Paulo) e Maurine Kipchumba (campeã da São Silvestre de 2012).