De caloura a referência: aos 34, Murer volta ao Canadá 16 anos após 1º Pan

22/07/2015 20:21

O ano era 1999. A cidade canadense de Winnipeg era a sede dos Jogos Pan-Americanos, e o Brasil estava representado por 436 atletas. Entre eles, havia uma caloura curiosa. Tinha 18 anos e olhares atentos em tudo que acontecia em sua volta para extrair toda a experiência que o ambiente proporcionava. Até então promessa do atletismo, Fabiana Murer tinha ainda pouca experiência em competições internacionais grandes. Após 16 anos e muitos feitos alcançados, a saltadora volta ao Canadá para a disputa de Toronto 2015: o seu último Pan. 

- Winnipeg era uma experiência diferente. Estava contente só de estar participando, mas queria saltar bem também. Eu era muito inexperiente, eu tinha dois anos de treino. Era tudo muito novo. Estar competindo com André Domingos, Maurren...Ter esse contato com esses atletas foi muito legal. Uma experiência bem diferente que eu acho que foi muito importante para o meu

 

crescimento - lembra

Chego com a experiência de vários anos de treino e de grandes competições. São competições opostas. Agora quero saltar alto e procuro medalha, apesar de ser uma prova muito forte - diz.

A nostalgia em Toronto vem com gosto antecipado de saudades. A atleta já anunciou que se aposenta do esporte após os Jogos Olímpicos do Rio, no ano que vem. Esse Pan marcará uma de suas primeiras ''despedidas oficiais'' de competições que está acostumada a disputar. 

- Nem pensei ainda que é meu último Pan. Eu encaro até com mais motivação e mais vontade. Acho que tenho que encarar o ano todo assim. Sabendo que está no final, para colocar mais energia, aproveitar cada momento, cada competição. Não só o Pan. Levar de uma forma mais fácil, sem estresse. Entender cada situação - diz. 

A temporada tem sido positiva para Fabiana até aqui. Iniciou no Troféu Brasil, em maio, saltando 4,65m. Na sequência, conseguiu passar por 4,72m e 4,80m em etapas da Diamond League. Ocupa, por enquanto, a terceira posição no ranking da prova em 2015. A partir do dia 22 de agosto, disputa o Mundial de Atletismo, em Pequim. 

A Vila dos Atletas de 99 é até hoje a grande lembrança da saltadora em uma competição multidesportiva. Ali, podia ter contato com outros atletas e conhecer gente de várias modalidades. Era o ponto perfeito para ouvir as conversas e pegar a experiência que podia. A marca na competição foi modesta, sobretudo se comparado com os 4,85m que alcançou na melhor atuação de sua carreira até aqui. Os 3,70m, no entanto, não eram motivo de desânimo. Pelo contrário, era ponto de partida. Antes ginasta, Fabiana estava no salto com vara havia apenas dois anos.

- Tinha ido sem meu treinador (já era Elson Miranda, que se tornou seu marido). Um dos atletas, o Gustavo Rehder foi quem me ajudou na hora da prova. A gente treinava junto, então ele sabia como era o meu salto, como eu fazia. Passou coisas mais básicas, como último pé na hora da decolagem - lembra. 

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A volta ao Canadá traz uma Fabiana completamente diferente. Em Toronto é uma das mais velhas de delegação brasileira, com 34 anos, e construiu uma trajetória longa que a fortaleceu. Hoje faz o papel inverso de Winnipeg. É ela quem serve de espelho e alicerce para os mais novos. 

Em 2007, Murer foi campeã pan-americana no Rio de Janeiro. Em Toronto, vai forte pelo ouro, mas consciente que a prova do salto com vara feminina pode e deve ser bem forte. Americanas e cubanas são rivais de peso na disputa. Em 2011, na edição de Guadalajara, a brasileira foi medalhista de prata com o salto de 4,70m. Viu Yarislei Silva, de Cuba, passar cinco centímetros mais alto. Meses antes, ela havia sido campeã mundial em Daegu, na Coreia do Sul.