Deficiente busca superar morte do pai no esporte e bate recorde no atletismo

27/11/2013 11:21

Após perder companheiro, João Paulo, de Araxá, encontra na corrida uma forma de se livrar da depressão. Para-atleta compete nos 200 m rasos e coleciona 140 medalhas

Superar a morte do pai através do esforço físico. Esse foi o pensamento de João Paulo Barreto, que compete no para-atletismo há seis anos. Os obstáculos foram degraus para o jovem atleta deficiente intelectual, que além de mostrar que consegue contornar as próprias limitações, encontra nos desafios mais gosto pela vida.

Com 26 anos, o para-atleta de Araxá  coleciona títulos, soma 140 medalhas e é recordista nacional. João Paulo bateu a marca dos 200 m rasos - estabelecida há 10 anos - em cinco centésimos, no campeonato brasileiro, disputado em Fortaleza no início do mês. Com a conquista, o jovem acredita que está mais perto de realizar um grande sonho.

- Ir para as Olimpíadas significa chegar ao auge da minha carreira e reafirmar que a deficiência não é problema para quem busca a realização na vida – falou João Paulo.

CONTRA A DEPRESSÃO

A alegre realidade de hoje não reflete o passado de João Paulo. AAntes da doença, meu pai era como nenhum outro. Ele era um amigo quase da minha idade. A gente jogava bola juntos, brincava de vídeo game. Depois que ele teve câncer, eu não medi esforços para ajudá-lo. Pegava ônibus para levá-lo ao banco, fazia a barba dele e tudo o que ele queria. Para mim, não tinha limites – contou.

Para se livrar da doença, João contou com a fundamental ajuda da treinadora Teresinha Ribeiro. Foi necessário muito esforço da professora para levá-lo ao atletismo e empurrar os remédios para longe. Quando começou a competir, João teve que parar com os medicamentos devido aos exames antidoping.

- Estava sem motivação. Queria ficar em casa, parado. Minha mãe se preocupou e com a ajuda da minha treinadora, cheguei ao atletismo. Agora vejo a importância de tudo isso e o amor pelo meu pai ultrapassa qualquer dimensão – disse João Paulo que ficou 9 meses em depressão.

DE DESCOBERTO A DESCOBRIDOR

Superada a depressão, João Paulo hoje é quase um assistente da treinadora. Além de exemplo para outros atletas da instituição onde treina, o mineiro também ajuda a técnica a encontrar talentos escondidos em problemas da vida.

- Foi com muita insistência que consegui trazer o João Paulo para o atletismo. No início, ele não tinha compromisso com o esporte, não ia aos treinos ou chegava atrasado. Mas mesmo assim, eu o levava às competições. Foi aí que ele viu que a vitória dependia só dele. Tudo o que eu fiz com ele, ele faz com outros atletas - disse orgulhosa.

ORGULHO DA MÃE

As medalhas que estão na casa do atleta são orgulho para a mãe, que conviveu com o filho em momentos difíceis e mais que isso, viu João se reerguer.ntes de se tornar um colecionador de títulos, o mineiro conheceu a dor da perda. Em 2007, a morte o separou do pai, o melhor amigo, o parceiro que dava ao jovem amor incondicional.