Destronado por Browne, Alan projeta Rio 2016 e não teme volta de Pistorius.

30/10/2015 15:49

Estrela em Lyon 2013, paraense não defende títulos nos 100m, 200m e 400m, mas vê missão cumprida com a prata e o bronze após ano sabático: "Meus recordes estão aí".

Nas Paralimpíadas de Londres, em 2012, os olhos do mundo se voltaram para Alan Fonteles. Com uma arrancada espetacular, o atleta biamputado, na época, com 20 anos, desbancou o mito sul-africano Oscar Pistorius para conquistar a medalha de ouro nos 200m T44, com o tempo de 21s45. No Mundial de 2013, em Lyon, na França, se consagrou como um dos maiores nomes da história do país ao vencer os 100m, 200m e 400. Em 2014, no entanto, perdeu a alegria de correr e optou por tirar um ano sabático. No retorno aos Mundiais, em Doha, no Catar, tatuou no pescoço as palavras "fast" (rápido) e "strong" (forte), traduzindo o seu momento na caminhada para o Rio 2016. O paraense não defendeu os seus títulos no Oriente Médio, porém, saiu com a sensação de dever cumprido. 

As medalhas de prata nos 200m e o bronze nos 100m tiveram um significado especial, depois de um período de incertezas, em que deixou a seleção brasileira, enfrentou desconfianças e foi acusado de estar no esporte apenas por marketing. 

- Eu tenho certeza de que eu estou no caminho certo para os Jogos do Rio. Estou na expectativa para voltar ao Brasil, treinar e fazer o meu melhor para ser o melhor em 2016. Ganhei uma prata e uma de bronze. Pode não significar muito para as pessoas, mas, para mim, significa bastante pela minha volta. Feliz por ter voltado à seleção, otimista por ter voltado a um Mundial quando tantos desacreditaram de mim. Os meus recordes ainda estão aí. Nunca ninguém bateu, seja nos 100m ou nos 200m. A gente vem treinando forte e eu vim aqui para brigar e fazer o meu melhor. Os resultados já vão aparecer no início do próximo ano. Vou continuar o meu treinamento para o ano que vem - contou Alan, que espera atingir a meta de 19s em 2016.

No período em que se afastou das pistas, o paraense viu surgir um grande rival na briga por uma medalha nas Paralimpíadas. O americano Richard Browne ganhou em 2014 todas as 10 corridas que disputou. No Mundial Paralímpico de Doha, foi incontestavelmente o melhor, conquistando os títulos nas provas de 100m e 200m. Alan admite que o adversário veio mais preparado para o campeonato, contudo, garante saber exatamente o que fazer para dar o troco no ano que vem. Ele até já deu o recado: "Nós vemos em 2016".

- O Richard Browne é um grande atleta, que vem fazendo grandes resultados, desde 2014. Mas eu vou treinar e vou voltar para ganhá-lo. Ele foi bem aqui. Voltei e fiz um bom resultado. Agora é continuar o treinamento. Para chegar aos 19s, eu preciso treinar, treinar e treinar. Eu me inspiro muito na minha esposa, que me deu muita força para eu voltar e  a meu técnico (Amaury Veríssimo). O que me inspira é que eu sei o caminho para correr bem. Minha motivação foram as aquelas pessoas que não acreditaram em mim.

Nem americano, ou até mesmo um possível retorno de Oscar Pistorius, que poderá voltar a competir a partir de 2019, depois de cumprir a pena de cinco anos pela morte da ex-namorada, a modelo Reeva Steenkamp, são capazes de ameaçar Alan. Confiante, ele garante que irá chegar no auge da carreira no ano que vem, quando espera ser o atleta mais falado do mundo.

- A situação do Pistorius é judicial. Se ele quiser vir competir de novo, ele vai ter que ganhar de mim e de todos. Se estiver apto, ele volta. Não tenho muito o que falar. Só vou dizer uma coisa: vou responder a tudo dentro da pista. Se o Pistorius vier correr comigo, ele que treine, porque o esporte está muito forte e aberto. Podem me ganhar, podem. Mas eu voltei e a minha preparação é para 2016. E eu já disse e e vou repetir: quero ser o nome dos Jogos Paralímpicos.