Dirigente vê o atletismo do Rio abandonado sem Célio de Barros

22/01/2015 15:55

Carlos Lancetta, presidente da FARJ, diz que o estádio poderia ser usado na preparação dos atletas para os Jogos de 2016: "Somos um morador de rua".

 

Enquanto o Rio de Janeiro acelera a sua preparação para os Jogos Olímpicos de 2016, o maior palco do atletismo da cidade completou dois anos fechado. O local que seria demolido, assim como o Parque Aquático Júlio Delamare, para as construções de um estacionamento e um centro comercial na modernização do complexo do Maracanã teve a sua pista retirada e serviu como apoio para estruturas temporárias na Copa do Mundo de 2014. Presidente da Federação do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Lancetta lamenta a atual condição do equipamento e vê os atletas da modalidade abandonados pela carência de um espaço para treinar e competir na cidade.

- A sensação é de que estamos perdendo o nosso espaço e a nossa casa. Hoje nós somos um morador de rua (...). Nós, além de perdermos toda essa oportunidade de utilização do estádio pelos nossos atletas, perdermos a oportunidade de oferecer o local para delegações estrangeiras, atletas de outros estádios e para Confederação Brasileira de Atletismo.

Apesar de não ser a casa do atletismo nos Jogos Olímpicos de 2016, que terá provas no Engenhão, o Célio de Barros foi considerado durante muitos anos o principal estádio da modalidade no país, recebendo competições nacionais e internacionais e sendo primeiro local do Brasil com uma pista sintética, com dimensões olímpicas. Uma liminar Ministério Público do Estadual impediu a sua demolição em 2013 e fez o então Governador Sérgio Cabral mudar de opinião. Quando o estádio será reaberto ainda é uma incógnita. Um evento foi realizado no último fim de semana por antigos frequentadores da pista pedindo a sua reabertura. Lancetta garantiu ter R$ 10 milhões para reforma do Célio de Barros e aguarda uma decisão concreta sobre o futuro do local para que as obras sejam iniciadas. 

- Nós já temos os recursos. São R$ 10 milhões e aguardamos os próximos dias para que a gente tenha uma decisão concreta do que vai acontecer. 

Representantes da concessionária que administra o Maracanã e do Governo do Rio de Janeiro foram procurados pela produção do SporTV e não quiseram gravar entrevista sobre o caso. Em uma nota, eles afirmaram que o Comitê Rio 2016 solicitou o estádio para a instalação das estruturas provisórias durante os Jogos. As obras para a reabertura do Célio de Barros estão previstas para começarem somente após as Olimpíadas. Segundo contrato em vigor, as reformas são de responsabilidade da empresa, que deve investir 100 milhões de reais para recuperar o estádio e também o parque Júlio Delamare.