Doping suspende campeões olímpicos russos da marcha atlética

22/01/2015 16:03

Passaportes biológicos continham altos valores de hemoglobina no sangue. Atletas podem perder títulos mundiais, mas medalhas nos Jogos não estão ameaçadas.

 

Cinco atletas russos da marcha atlética, incluindo três campeões olímpicos, foram banidos pela Agência Antidoping Russa nesta terça-feira. Suspensões de três anos e dois meses foram anunciadas a Sergei Kirdyapkin, ouro nos Jogos de Londres 2012 e bicampeão mundial da prova de 50km; e para Olga Kaniskina, campeã olímpica em Pequim 2008, prata em Londres e tricampeã mundial da distância de 20km. Medalha de ouro na China e bicampeã mundial, Valery Borchin foi flagrada pela segunda vez foi punida com oito anos de suspensão pela reincidência. 

Outro reincidente, Vladimir Kanaykin foi banido pelo resto da vida. Sergei Kirdyapkin, campeão mundial em 2011 nos 50km, também foi suspenso por três anos e dois meses. Todos os casos são baseados em altos valores de hemoglobina no sangue por um longo tempo em seus passaportes biológicos, espécie de perfil genético dos atletas. Os cinco já estavam suspensos preventivamente desde 2012, sem que a Agência Antidoping Russa tivesse feito um anúncio público, até que a Federação Internacional de Atletismo confirmasse a situação à Associated Press esta semana. A demora nas investigações aconteceram porque a entidade russa não dispunha de recursos disponíveis para fazer os exames. As punições contam a partir daquele ano e todos estão fora dos Jogos Olímpicos de 2016. Os atletas não perderão suas medalhas olímpicas, mas provavelmente suas conquistas em mundiais, já que os exames datam de antes de 2012. Outras sanções devem ser dadas a Bakulin e Kirdyapkin após fotos mostrarem os dois competindo na Rússia no último mês, quando eles deveriam estar cumprindo suspensão preventiva. Kaniskina, de 30 anos, já havia decidido se aposentar e virou treinadora. 


No mês passado, a imprensa europeia denunciou vários casos de doping e corrupção no atletismo russo. A campeã olímpica dos 800m nos Jogos de Londres 2012, Maria Savinova, e a tricampeã da Maratona de Chicago, Liliya Shobukhova, foram acusadas pelo canal de televisão alemão ARD e pelo jornal esportivo francês L'Equipe de serem as principais envolvidas em casos de uso de substâncias proibidas. 

Chamado de “método inteligente”, o sistema de passaporte biológico chega para somar eficiência ao já utilizado teste de urina e pode detectar o uso de substâncias proibidas mesmo que elas já tenham sido excretadas do organismo. Foi implementado em 2009 pela Agência Antidoping Mundial (Wada). O monitoramento de exames dos atletas facilita a detecção direta e também indireta de métodos dopantes a longo prazo. A partir desta perspectiva, mesmo que a substância em si não seja encontrada no teste, os efeitos colaterais provocados por ela se tornam aparentes no organismo. Normalmente, as substâncias proibidas permanecem no corpo apenas por um período curto, o que dificulta sua detecção. No entanto, os efeitos delas ficam perceptíveis por mais tempo, assim são facilmente diagnosticados no perfil genético.