Doping: Técnico do Quênia denuncia três maratonistas do país por suborno.

17/11/2015 06:18

Paul Simbolei não cita nomes, mas entrega informações para polícia local. Dirigente também investigado por se apropriar de verba de patrocínio da federação.

O atletismo vive uma crise mundial diante das acusações de doping que culminaram na suspensão da Rússia das competições internacionais. Neste domingo, o Quênia, outra potência da modalidade que vem sendo investigada, sofreu mais um baque diante das denúncias feitas pelo técnico Paul Simbolei de que três maratonistas teriam subornado a federação local para receberem penas reduzidas por terem sido flagrados nos exames anti-doping.

As informações já foram entregues ao departamento de polícia do Quênia, segundo reportagem da "The Associated Press". Simbolei, inclusive, disse estar sendo ameaçado desde que levou suas denúncias para as autoridades. Famoso pelos treinamentos na altitude, o treinador não revelou o nome dos três atletas, mas ainda vai prestar depoimento.

+Bach diz que russos podem ir a 2016 se a Rússia mudar política antidoping
+Quenianos seguem como favoritos na edição 2015 da Maratona de Curitiba
+Mundo do atletismo aplaude pena à Rússia, mas país mantém confiança
+Representante dos EUA no Conselho da IAAF festeja punição contra Rússia
+Ouro e prata em Londres 2012 teriam pago propina a dirigentes após doping
+Ex-presidente da IAAF é suspeito de ter recebido R$ 4 milhões em propina

+Sob investigação, ex-presidente da IAAF passa três dias preso na França


- Disse tudo que eu sabia. Falei que oficiais se aproximavam dos atletas, ou de seus treinadores, e pediam dinheiro dizendo "você sabe que seu atleta usa drogas". Eles pediam para receber parte do dinheiro por vitórias ou os denunciaria por traição. Um policial me disse que o assunto era muito sério e poderia custar muitos empregos. Também que poderia custar a minha vida. Insiti que era tudo verdade - disse Simbolei, em entrevista ao jornal "The Sunday Times".

Desde as Olimpíadas de Londres 2012, cerca de 35 quenianos foram suspensos ou banidos por testarem positivo nos exames antidoping, inclusive, a maratonista Rita Jeptoo, campeã das maratonas de Boston e Chicago, em 2013 e 2014.

Outro caso relacionado ao Quênia envolve a investigação de David Okeyo, membro do conselho da Federação Internacional. Ele é acusado de embolsar US$ 700 mil (R$ 2,7 milhões) de verba de patrocínio da Federaçao Queniana. Presidente da entidade, Isaiah Kiplagat também está sendo investigado assim como Joseph Kinyua, tesoureiro.

- A IAAF não tem conhecimento das investigações sobre o Senhor Okeyo no Quênia, e o caso foi imediatamente repassada para a comissão de ética independente da entidade - informou um porta-voz da IAAf em e-mail enviado para a "AP".