Ex-babá e empregada doméstica mira

25/07/2015 11:43

Baiana radicada em Santos desde a adolescência, Sirlene Pinho revela inspiração no ultramaratonista Valmir Nunes e relembra o início da carreira ao lado do ex-patrão.

Sirlene Pinho nunca imaginou que o trabalho como empregada doméstica poderia transformar a sua vida de forma tão drástica e levá-la a lugares tão distantes. Foi na casa do ultramaratonista Valmir Nunes que ela passou a conviver com o universo das corridas e, em 1998, fez do hobby profissão. A baiana que deixou Santa Cruz na adolescência para viver em Santos não demorou a perceber uma nova perspectiva de futuro. Menos de 10 anos depois de começar no atletismo, Sirlene conquistou um de deus melhores resultados: a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. Hoje, aos 39, é uma das referências na elite na Maratona do Rio, onde busca o bicampeonato, em um percurso de 42 km, no domingo, a partir das 7h. A largada será no Recreio dos Bandeirantes e a chegada no Aterro do Flamengo. Mais uma vez, a briga entre Brasil e Quênia promete dar o tom da disputa.

Além de ter sido empregada doméstica, Sirlene trabalhou como faxineira, acompanhante de idosos, babá e até em um canil. Mas o amor pelo atletismo falou mais alto. Ela sempre gostou de correr no tempo livre e aceitou o desafio proposto pelo padrinho Valmir Nunes. O ultramaratonista acumula mais de 30 conquistas internacionais, como o bicampeonato mundial dos 100 km, em 1991, na Itália, e em 1995, na Holanda, onde quebrou o recorde da prova, ao cravar a marca de 6h18m09s. Nunes também venceu os 246 km da Spartathlon, em 2001, na Grécia, e estabeleceu o recorde das Américas em 24h, após percorrer 273,8 km em Taiwan, 2003.

- Eu treinava corrida, mas não era profissional e nunca tinha imaginado um futuro no atletismo. Quando fui trabalhar na casa do Valmir, ele perguntou se eu queria treinar sério e eu disse que sim. Ele costuma correr provas de 100 km e 200 km. Aprendi com ele a ter garra, coragem e força de vontade, porque atleta tem que treinar. Comecei a me dedicar mesmo em 1998. Depois de pouco tempo treinando sério, comecei a ganhar das meninas que eu era fã e vi que eu poderia ir além. Nunca imaginei que o atletismo poderia me levar tão longe, que eu iria viajar para o outro lado do mundo, como Itália, Grécia e Dubai - contou Sirlene.

 

Bicampeã da Maratona de Buenos Aires, na Argentina, em 2007 e 2009, e vice na Volta da Pampulha, em 2003 e 2005, a medalhista pan-americana foi a mais rápida da Maratona do Rio, em 2010. Neste ano, ela espera ao menos beliscar um lugar no pódio na prova que contará com a presença de 26 mil participantes em três distâncias: 42 km, 21 km e 6 km. O caminho não será fácil, mas Sirlene aposta na experiência e na intensa preparação para a corrida. 

- Todos os atletas querem ganhar e o meu pensamento é o mesmo. Mas a minha meta é ir ao pódio. Os quenianos vão dar trabalho, mas tem outras brasileiras que também chegarão bem fortes, como a Conceição e a Adriana, que foi a melhor brasileira no ano passado (terminou em quarto lugar) - analisou a maratonista, que, atualmente, cursa a Faculdade de Educação Física-FEFIS, onde já se formaram nomes como o Rei Pelé, o ex-jogador e técnico José Macia, o Pepe.

Além de Sirlene, Conceição Oliveira e Adriana da Costa, Joziane Cardoso, Gisele de Jesus e Graciete Santana reforçam o Brasil na corrida deste domingo. A queniana Caroline Chemutai Komen é outra forte candidata, ao lado das compatriotas Agnes Kiprotich e Nelly Jepkurui, segunda colocada no Rio em 2015 e 2014. Kiprotich, por sua vez, é campeã da Maratona de São Paulo de 2015, vice da Maratona de Porto Alegre, no ano passado, e terceira da Maratona de Zurique, em 2012. O recorde da prova feminina pertence a Thabita Kibet, do Quênia, que obteve o tempo de 2h34s41 na vitória de 2012.