Ex-namorada chora ao lembrar traição e diz: 'Pistorius não grita como mulher'

07/03/2014 10:32

Samantha Taylor testemunha que velocista biamputado carrega arma para todos os lados e retoma episódio de tiro dentro de carro para irritar policial: 'Ele riu'.

O quinto dia do julgamento de Oscar Pistorius foi marcado por muito choro na Suprema Corte de pretória, na África do Sul. Nesta sexta-feira, a ex-namorada do velocista biamputado, Samantha Taylor, teve de parar seu testemunho por várias vezes para se recompor. Ela recordou a traição do paratleta que acabou com o relacionamento e deu detalhes do convívio com o campeão paralímpico, acusado de premeditar o assassinato da namorada Reeva Steenkamp, mas alega ter atirado contra a modelo por confundi-la com um intruso. Outro momento marcante do dia foi um cumprimento de Pistorius à líder da Liga Feminina Sul-Africana, que tomou Reeva como mártir da causa da violência contra a mulher.Samantha conheceu Pistorius em 2010 e começou a namorá-lo em 2011, quando ainda tinha apenas 17 anos. Ela foi aos prantos ao lembrar que o parateta a traiu com Reeva mais de uma vez.A testemunha também negou a argumentação da defesa do velocista de que os gritos femininos relatados por vizinhos do paratleta na madrugada do crime eram na verdade de um Pistorius nervoso. Ela afirmou que o campeão paralímpico gritou algumas vezes quando estavam namorando. Gritou com ela, com a irmã de Samantha e com amigos.

- Isso não é verdade. Ele não grita como mulher - disse a testemunha.

Por outro lado, o depoimento de Samantha foi a favor de Pistorius no ponto em que confirmou a obsessão dele por segurança. Ela disse que o paratleta carregava sua pistola 9mm para todo canto no período em que namoravam, inclusive em visitas a amigos. A testemunha afirmou que, quando dormia, Oscar deixava a arma na cabeceira da cama, ou junto às próteses no chão. Samantha ainda recordou uma noite em que algo bateu na janela da casa, e Pistorius a acordou perguntando o que teria provocado o barulho. Na ocasião, ele pegou a pistola e foi verificar se havia um intruso, uma situação bem parecida com a versão do campeão paralímpico para a morte de Reeva.Samantha ainda foi questionada sobre um episódio em que Pistorius teve um desentendimento com um policial e atirou sem atingir ninguém. Na ocasião, a testemunha, o paratleta e seu amigo Darren Fresco foram parados por uma viatura por estarem dirigindo acima do limite de velocidade. Oscar deixou sua arma no assento, e o policial disse que ele não poderia estar com arma ali.

- Oscar gritou com o policial e disse que ele não deveria ter tocado na arma. Cerca de dois minutos depois, Oscar pegou a arma e atirou para cima, dentro do carro. Ele atirou porque estava muito bravo com o policial e achou engraçado irritá-lo. Ele riu depois do disparo.

Antes de Samantha, o médico Johan Stipp deu sequência ao seu depoimento iniciado na sessão da quinta-feira. O vizinho de Pistorius manteve o depoimento em que descreveu como Reeva Steenkamp foi encontrada e disse ter visto luzes na casa do paratleta no momento dos tiros, o que contradiz a versão do campeão paralímpico.

O julgamento de Oscar Pistorius se estende até o dia 20 de março, mas pode ser prorrogado a pedido das partes para avaliações dos depoimentos. Caso seja considerado culpado por assassinato premeditado, o campeão paralímpico pode pegar de 15 anos a prisão perpétua, com direito a solicitar liberdade condicional depois de 25 anos.