Ex-técnico da seleção de Uganda é preso acusado de estuprar três atletas

17/04/2015 06:00

Capitão da equipe, Moses Kipsiro levar caso a público e enfrenta ameaças de morte.

 

Ex-técnico da seleção de atletismo de Uganda, Peter Wemali foi preso nesta quarta-feira em Kampala, capital do país. O treinador enfrentava há mais de um ano acusações de estupro de três jovens atletas, mas o caso só ganhou projeção quando o capitão da equipe, o medalhista mundial Moses Kpsiro, o denunciou publicamente. As vítimas alegam que as investigações preliminares não foram levadas a sério porque Wemali trabalha na academia de treinamento da polícia local.

A suspeita é que Wemali tenha abusado das alunas entre 2013 e 2014. Elas têm 15, 16 e 17 anos e passaram por exames recentes que comprovaram apenas que nenhuma delas é mais virgem. Com os depoimentos das três e o apoio de outros membros da equipe nacional, no entanto, as autoridades consideraram que havia indícios suficientes para solicitar a prisão. A pena para casos de estupro em Uganda pode chegar à pena de morte, mas acredita-se que não será este o caso.

- As meninas passaram por exames na segunda, e a conclusão é que todas perderam a virgindade. Como elas acusam o técnica, tivemos que prendê-lo. Ele é o principal suspeito. Não há fumaça sem fogo. O acusamos de violação e estupro. Agora ele poderá provar a inocência dele nos tribunais – disse o comandante regional de polícia, James Ruhweza, em entrevista ao jornal ugandês “Daily Monitor”.

Responsável por dar projeção às denúncias, Kipsiro teme pela vida de sua família, já que recebeu diversas ameaças de morte por mensagens de texto no último mês. O fundista contou à polícia que foi procurado pelas jovens atletas e ouviu relatos variados de abuso. As meninas teriam relatado que Wemali as instruía a engravidar e depois abortar o feto aos três meses de gestação, alegando que esta era uma estratégia eficiente para correr mais rápido. Kipsiro levou a denúncia também à Federação De Atletismo de Uganda (UAF, na sigla em inglês), que afirmou tê-lo dispensado após as investigações policiais.