Favorito nos 110m com barreiras cita doença e diz: "Deveria estar em casa".

26/08/2015 21:26

Americano Aries Merritt, que sofre com síndrome que deixa funcionamento dos rins
abaixo dos 20%, revela cirurgia dias após o Mundial, quando irá receber rim da irmã.

As histórias de superação costumam ser comuns no esporte, mas não deixam de impressionar a cada vez que são contadas. Com o americano Aries Merritt não é diferente. Dono do recorde mundial dos 110m com barreiras com o tempo de 12,8s, o velocista de 30 anos desembarcou no Mundial de Pequim, na China, com uma doença que, na verdade, deveria o impedir de estar na pista do Ninho dos Pássaros. Mas é justamente aí que entra a história de superação (assista ao vídeo).

- Provavelmente não (deveria estar no Mundial). Para ser honesto, provavelmente deveria estar em casa descansando e me preparando para a cirurgia, mas estou aqui pela minha saúde mental. Adoro correr, adoro competir, e consegui chegar à equipe dos Estados Unidos apesar da minha doença, então estou aqui me divertindo, não vou para esse campeonato com pressão. Só vou focar no que preciso fazer, na minha raia, em uma coisa de cada vez e, espero, no final algo especial vai acontecer (...). Tenho uma cirurgia marcada para o dia 1º de setembro, assim que deixar o campeonato. Então, três dias depois vou estar numa mesa de cirurgia - disse Merritt, após vencer sua bateria e conquistar o segundo melhor tempo das eliminatórias, com 13,25s.

Merritt sofre com uma doença que faz com que seus rins funcionem muito abaixo do normal. A cirurgia marcada para setembro será para que sua irmã possa doá-lo um rim.

- É a síndrome do GESF. É uma doença genética e não há muito o que eu possa fazer em relação a isso. O funcionamento dos meus rins é muito baixo agora, quase abaixo dos 20%, então preciso de um transplante assim que voltar para casa. Estou me sentindo muito bem, apesar dos fatos - completou.

Nesta próxima quinta-feira, Aries Merritt corre a semifinal dos 110m com barreiras. Ele está na segunda das três baterias. O brasileiro João Vitor de Oliveira participa da primeira bateria. A final com oito velocistas está marcada para sexta-feira. Apesar da preocupação com a cirurgia, o atleta americano garante pensar agora apenas na busca pelo ouro em Pequim.

- Tenho que focar em uma coisa de cada vez, uma rodada de cada vez. E depois que o campeonato tiver terminado, penso na cirurgia - concluiu.

O SporTV transmite o evento, direto do Ninho do Pássaro, ao vivo, e o SporTV.com acompanha em Tempo Real.