Milhares de corredores encaram -7ºC em Nova York por uma causa nobre

28/11/2013 09:52

Nos Estados Unidos, a corrida dos sonhos arrecada fundos para ajudar na educação de quase 2 milhões de crianças órfãs no interior do Quênia.

 Poucas famílias tiveram disposição para passear no Central Park, em Nova York, na manhã mais fria do mês. Mas quem topou o desafio nesse domingo, acabou se surpreendendo com o movimento de corredores na pista: milhares de pessoas de todas as idades participavam da corrida “10k Dash for Dreams” (10k por um sonho), evento promovido para levantar fundos para a educação no Quênia.

E quem se mobilizou a ajudar na causa queniana, teve que se esforçar. Às 9h da manhã, o termômetro marcava -7 graus, o que obrigou os corredores a tentar todos os tipos de proteção contra o frio. Luvas, casacos de todas as cores e pesos, panos para proteger o rosto e gorros.

- O frio atrapalha muito a corrida, mas não pode me impedir de correr a prova. O dia está bonito demais! E é muito legal ver todo mundo à sua volta correndo por um belo motivo que é ajudar pessoas que não têm as mesmas oportunidades que a gente aqui em Nova York – disse, batendo queixo de frio a jamaicana Alisa Coy, que mora nos Estados Unidos há 10 anos.

O “10k Dash for Dreams” marca a diversidade na corrida de rua e mostra que todos podem tentar correr, ainda mais quando a motivação é ajudar o outro. Alisa, por exemplo, penou para completar os 10 quilômetros em 1h35min, mas a prova serviu de motivação para futuros treinos.

- Normalmente as pessoas treinam bastante e depois fazem uma corrida de 10k. Eu não. Preferi correr primeiro e vi que é maravilhoso. Agora vou treinar regularmente pra ver se consigo repetir os 10 quilômetros com menos sofrimento, (risos). – divertiu-se Alisa, de 38 anos.Já Ryan Stuart foi um dos primeiros a completar a prova, mas teve que esperar na gélida temperatura de – 5 graus por sua namorada na linha de chegada. Ryan estava de bermuda e tentava proteger suas pernas do vento forte com meiões de futebol.

- Eu deveria ter corrido um pouco mais devagar, porque agora vou ter que esperar minha namorada que é um pouquinho mais lenta do que eu. Costumo correr maratonas, mas essa prova “Dash for Dreams” tem uma vibração diferente, é especial. Você vê famílias correndo juntas, crianças acompanhando pais, pessoas de mais idade se esforçando, é diferente – se entusiasmou Ryan.
A corrida é tão diferente, que boa parte preferiu transformá-la em caminhada, até pela falta de preparo para manter um bom ritmo de corrida durante os 10 quilômetros de prova.

Mas o objetivo não foi desportivo e sim filantrópico. Para a inscrição na prova, cada corredor tinha a sugestão inicial de 200 dólares na doação para o fundo “Flying Kites”, entidade ligada a UNICEF que repassa o recurso arrecadado para ajudar as quase 2 milhões de crianças órfãs no Quênia, e que precisam de escolas para um futuro melhor.

- A gente sabia que ia enfrentar o frio correndo, mas esse sacrifício é bem menor do que as crianças quenianas passam sem seus pais no dia-a-dia. Não custa ajudar – completou Ryan.