na Cláudia reduz carga olímpica após lesão no Pan: ''Não dá para fazer tudo''

20/01/2016 11:22

Além do revezamento 4x100m, velocista de destaque no Brasil nas últimas temporadas pretende priorizar uma prova individual no Rio: ou 100m ou 200m.

Uma manhã em Toronto mudou os planos de Ana Cláudia Lemos. Naquele dia 23 de julho do ano passado, a principal velocista do país sofreu uma contusão nas eliminatórias dos 200m que a tirou do restante da competição do Canadá.Diagnosticada lesão de grau 2 no músculo do bíceps da coxa direita, ela também ficou fora do Mundial de Atletismo de Pequim, em agosto. Os dias de recuperação não foram fáceis, mas Ana consegue fazer uma balanço positivo do período que passou longe das pistas. Recuperada e de volta aos trabalhos em 2016, tomou decisões baseadas em uma maturidade que adquiriu nos últimos anos e, sobretudo, nos últimos meses. A atleta, que vive na velocidade, decidiu que é preciso pisar no freio para os Jogos Olímpicos.

A ideia de Ana Cláudia, em conjunto com o treinador Katsuhico Nakaya, é eleger ao longo da temporada uma das duas provas individuais (100m e 200m) para competir nos Jogos Olímpicos do Rio, além de correr com o time do revezamento 4x100m. A velocista tem índice nas duas provas, mas acredita que chegou o momento em que pode ser preciso estabelecer limites. E, recentemente, conheceu os seus.

- Como já conheço meu corpo, tenho que selecionar uma prova e mais o revezamento, para ter um tempo maior de recuperação. A gente está o tempo todo no limite. Hoje, já sei o meu limite, o que posso fazer. Não dá para fazer tudo. Eu quero fazer tudo, mas a gente não é super-herói. Às vezes, tem que ter mais cautela, tirar o pé. Como eu estava muito bem fisicamente (no ano passado), a gente acreditava que ia correr bem. Não dá para correr todas as provas, eu não entendia isso - diz Ana Cláudia, que treina em seu clube, em São Caetano do Sul.

Antes dos Jogos Pan-Americanos, a velocista de 27 anos vinha com bons tempos na temporada, tanto nos 100m quanto nos 200m, batendo recordes e conseguindo marcas expressivas. Não esconde que foi difícil o período longe das pistas, mas ressalta de novo o aprendizado. O trabalho para as Olimpíadas começou ainda no ano passado, deixando os dias ruins para trás. Ana está se preparando desde setembro para chegar no seu auge ao Rio de Janeiro.

 Fui eu, foi a Fran, foi a Evelyn... acabou com o time, né? A gente segue com chance. Sabemos que, se todo mundo estiver inteiro, sem problema de lesão, doença, o time corre. Esse ano que passou foi ruim. Eu tive meu problema, a Franciela teve, Evelyn também. Estou falando delas porque é o time que bateu o recorde sul-americano. Mas têm outras meninas vindo com resultados bons. É difícil você entrar em uma competição sabendo que teve problemas. Mas, quando tem a temporada boa, sem problema nenhum, as coisas acontecem. É um time que pode ser medalhista nos Jogos em casa. 

Ana Cláudia é dona dos recordes brasileiros dos 100m (11s01) e dos 200m (22s48, que também é recorde sul-americano). Neste começo de ano, ela optou por não participar de nenhuma competição indoor. A previsão é que comece a competir na pista aberta em abril. 

 

Não foi fácil. Depois que passa a tempestade, a gente analisa melhor. Poderia ter feito a opção de ter feito uma prova só, para evitar um pouco o desgaste, já que o programa horário era apertado. Mas serve de aprendizado. Aprendi muito com aquela lesão, a me conhecer um pouco mais, conhecer meu corpo, meus limites. Agora só penso nos Jogos Olímpicos. Me recuperei e estou forte fisicamente e mentalmente também, que é algo que pesa muito para um atleta quando acontece isso. Superei e estou animada para a próxima - contou. 

Dona dos melhores tempos do Brasil nos 100m e 200m e recordista sul-americana da prova mais longa, Ana Cláudia traçou como objetivo olímpico conseguir uma final individual e mantém o otimismo em um pódio para as meninas do revezamento 4x100m do Brasil. 

- Conversei com o Nakaya, e a gente quer correr os 100m e 200m durante a temporada toda, até o Troféu Brasil (previsto para junho). Depois, ele avalia qual prova que eu vou fazer nas Olimpíadas. A temporada vai dizer qual prova estarei melhor, 100m ou 200m. Provavelmente, vai ser uma prova individual e mais o revezamento. A prova que mais me aproximar de uma final olímpica (100m ou 200m) e mais o 4x100m, que é nossa maior esperança de medalha - disse a atleta, que esteve em Londres 2012 e foi reserva em Pequim.

Revezamento segue como esperança

O revezamento 4x100m feminino do Brasil foi apontado, sobretudo no começo do ano passado, como um time forte na briga por um pódio. No entanto, 2015 foi difícil. Lesões e problemas de saúde atrapalharam o time individualmente, não encaixando da forma que se esperava. Um dos motores desse time, Ana Cláudia reconhece que muito deu errado por conta de lesões, mas a temporada que passou não diminui em nada a esperança no conjunto.  

Em 2013, o quarteto formado por Ana, Rosângela Santos, Evelyn Santos e Franciela Krasucki bateu o recorde sul-americano na semifinal da prova no Mundial de Moscou. Na final, no entanto, Vanda Gomes acabaria entrando no time e deixando o bastão cair.