No retorno, Alan perde nos 200m para Browne e é prata no Mundial de Doha.

26/10/2015 05:49

Maior medalhista brasileira em Mundiais, Terezinha deixa escapar o ouro nos 200m após guia sentir dor na perna, mas aposta em invencibilidade nos 100m rumo ao título.

Quando percebeu que havia perdido a alegria de correr, Alan Fonteles sentiu que era o momento de parar e refletir. Se deu ao luxo de tirar um ano sabático e sofreu com as críticas e desconfianças. Perdeu patrocinadores, viu o surgimento de rivais, mas nunca se desesperou. Sabia do seu potencial e que era apenas uma questão de tempo para recuperar a forma ideal. Retornou em grande estilo no Parapan de Toronto e veio ao Mundial Paralímpico de Atletismo, em Doha, no Catar,  defender os seus três títulos como o homem a ser batido. Estrela em Lyon 2013, o velocista fez o seu melhor tempo na temporada, 22s04, mas acabou ficando com a medalha prata dos 200m T44 (amputados). Foi superado em uma batalha de gigantes por Richard Browne. O americano cruzou a linha de chegada da prova em 21s27, quebrando o recorde mundial. O compatriota Hunter Woodhall (22s09) levou o bronze. 

- Estou muito feliz. O jogo estava aberto, não estou no meu melhor momento, mas vim aqui para lutar. Peguei uma medalha de prata. Pode não significar muito, mas para mim significa o meu retorno. Posso não ter conseguido o ouro, mas o esporte paralímpico está muito forte. No Rio, quero ser a cara dos Jogos, e eu vou treinar para isso. Este meu resultado aqui eu dedico à minha esposa, que esteve ao meu lado sempre, ao meu treinador, Amaury (Veríssimo), que nunca desacreditou em mim, e aos verdadeiros patrocinadores que ficaram comigo e acreditam no meu potencial. Queria agradecer a todos que me apoiaram, principalmente, a Deus, por ter chegado até aqui quando todos desacreditaram em mim. Estou no Mundial e ganhei a prata. Significa um retorno muito bom para quem ficou parado. O Alan está de volta - disse o brasileiro. 

Após se tornar um dos maiores atletas paralímpicos do mundo, graças à histórica vitória sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200m dos Jogos de Londres 2012, pela classe T43/44, e pelos ouros no Mundial de Lyon, nos 100m, 200m e 400m, o velocista se afastou das pistas, cansado da rotina árdua de um atleta de alto rendimento. Usou a desconfiança como combustível e tatuou no pescoço as palavras "fast" ("rápido") e "strong" ("forte"). Era a tradução do seu momento. Em seu retorno às pistas, no Parapan de Toronto, no Canadá, ele calou os que duvidaram do seu potencial com o ouro nos 200m e a prata nos 100m. O foco principal são as Paralimpíadas.

- Quando chegar em casa não tem para ninguém. Sei do meu potencial e sei qual o caminho preciso seguir. Há dois anos, eu corri 20s66 (T43 – o recorde de Brown, 21s67, foi no T44). Ate hoje, ninguém correu isso. Vou me dedicar mais. É um trabalho longo. Eu disse que ia chegar bem no Mundial, e a minha última parada é o Rio 2016. Infelizmente, não deu para ficar com ouro, mas agora é bola para frente. Se dedicar mais, porque ano que vem eu vou ser melhor.  Vou chegar com muita gana e não vou deixar esse ouro fugir - garantiu Alan

Maior medalhista brasileira em Mundiais, Terezinha Guilhermina conquistou o seu 12º pódio nos 200m T11 (cego total). Depois de se tornar a segunda mulher mais rápida do mundo nos 400m, a multicampeã esbarrou novamente na chinesa Cuiqing Liu, que conquistou o título mundial, com tempo de 24s75. A brasileira acostumada a colecionar vitórias nas pistas cravou a marca de 24s95 e precisou se contentar com a prata. As dores musculares na perna de seu guia, Guilherme Santana, a deixaram insegura na prova e a separaram do topo do pódio por 20 centésimos. Ela chegou a levantar o braço antes do início da disputa, pedindo um substituto, porém, se manteve ao lado do parceiro. A compatriota Jhulia Karol (26s24) levou o bronze.

 

 Na hora de testarmos o bloco, a musculatura da perna do Guilherme contraiu. Eu corri bastante insegura esta prova, mas ainda considero a Terezinha Guilhermina a minha maior rival. Para o que aconteceu no início, foi um bom resultado. Levantei o braço para pedir outro guia, mas ele disse que dava conta. Estou pronta para os 100m e estou muito confiante. É a minha principal prova. Vou para o gelo e usar tudo o que puder usar para ser campeã. Treinei muito para chegar até aqui e eu não vou abrir mão desta medalha - destacou Terezinha.

Há uma década, a recordista de pódios do Brasil mantém a sua invencibilidade nos 100m. As outras representantes do país na prova são Jerusa Geber e Jhulia Karol. Os 39 convocados pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) ocupam atualmente o top 4 do ranking mundial e têm chances reais de medalha na principal competição da modalidade neste ano. Em Lyon 2013, o Brasil terminou em terceiro lugar no quadro geral de medalhas, com 40 pódios: 16 ouros, 10 pratas e 14 bronzes. A competição em Doha está sendo disputada até o dia 31 de outubro, com a presença de 1.315 atletas, incluindo os guias, de 88 países.