Quenianos ameaçam boicote contra taxas e podem abandonar os Jogos

24/01/2014 12:48

encedor da Maratona de Boston, Wesley Korir reivindica mudança na legislação 
de tributos pagos pelos atletas. A partir deste mês, taxas pulam de 15% para 30%.

Alguns dos principais atletas quenianos ameaçaram parar de representar o seu país em competições internacionais como as Olimpíadas por conta de novas regras para as taxas pagas pelos corredores. Vencedor da Maratona de Boston em 2012, Wesley Korir disse que os atletas  vão acabar pagando duas vezes as taxas, já que eles já pagam uma tava sobre cada uma de suas conquistas no exterior. 

Em um fórum de atletas na cidade de Eldoret, no oeste do Quênia, o maratonista destacou que os corredores poderiam desembolsar até 15% sobre todos os seus ganhos, não mais do que isso. A "The Kenya Revenue Authority" (KRA), na tradução, "Autoridade Tributária do Quênia", quer que os atletas paguem a taxa máxima, de 30%, sobre os seus ganhos a partir deste mês.   

Segundo Korir, a nova política de taxas pode provocar um grande movimento de troca de nacionalidade entre os quenianos, o que irá prejudicar o desempenho do país de uma maneira geral. O maratonista reclamou que as autoridades não consultaram os atletas antes de tomarem a decisão. O Quênia é considerado uma potência da modalidade, tendo como principais destaque os corredores de média e longa distância. 

- A distribuição de tributação é a seguinte: 30 a 35% para o país de origem, 15% para o agente, 10% para o gerente, e agora a "KRA" quer piorar a injúria aos atletas, impondo uma taxa de 30% dos desse montante. Em nome dos atletas, eu digo que não - nós dizemos não à tributação. Quando esses atletas pararem de ir para a pista para correr, nos Jogos Olímpicos ou Campeonatos Mundiais, é aí que a importância do atleta será sentida - disse Korir durante o fórum na Universidade de Eldoret, sob aplausos, conforme divulgado na imprensa queniana. Duas vezes campeã mundial, a corredora Florence Kiplagat endossou as palavras do compatriota em uma entrevista para agência de notícias Reuters.

- Se a situação não mudar, eu irei defender outro país que valorize o meu esforço. Estão nos cobrando taxas no exterior. Depois, investimos o que nos resta aqui. O nosso governo não faz nada para nos apoiar. Nós trabalhamos duro para dar à nossa nação uma imagem positiva lá fora e não ganhamos nada em troca.

Muitos quenianos que competem na elite do atletismo têm dupla cidadania. Estrelas do esporte, como o jamaicano Usain Bolt, já deixaram de disputar corridas por conta de taxas. O Raio, por exemplo, só aparece em eventos no Reino Unido quando o governo lhe dá uma compensação.