Reboladas e caras e bocas: “musa do aquecimento” conquista fãs no Ninho

27/08/2015 17:18

Michelle Jenneke hipnotiza torcida com descontração antes de competir nos 100m com barreiras. Em Pequim, sonha fazer melhor tempo da carreira na semifinal.


Enquanto as adversárias fazem um último alongamento, soltam as articulações e dão pulinhos discretos, Michelle Jenneke dá um show à parte. Rebola, dança e faz caras e bocas, quase sempre com um sorriso bem largo. Destoando das demais atletas alinhadas para a largada, a australiana quase sempre conquista a torcida e ganha o incentivo que precisa para correr ainda mais rápido. Na manhã desta quinta-feira (horário de Pequim), a atleta aussie repetiu o ritual e, mesmo diante dos discretos chineses, arrancou suspiros e aplausos no Ninho do Pássaro. Depois, avançou às semifinais dos 100m com barreiras. A atleta de 22 anos tenta uma vaga na decisão a partir das 8h25 (de Brasília) desta sexta.

Michelle faz este ritual peculiar há cerca de cinco anos e ficou famosa em 2012. Alinhada na raia para estrear no Mundial Junior de Barcelona, foi flagrada por uma das câmeras de transmissão em clima de absoluta descontração. Na raia 7, só fechou a expressão quando posicionou-se no bloco. Mas logo depois que venceu a bateria com 13s53 – seria quinta colocada ao final da competição –, voltou a sorrir e a soltar o corpo. 

- Quando estou na pista fico muito empolgada. É assim que eu sou. Não sei o que as adversárias pensam sobre isso, talvez possa até desconcentra-las um pouco, mas não é essa minha intenção. É simplesmente uma manifestação de como estou me sentindo e de como quero correr. Estou sempre feliz na pista. Quando estou ali, fazendo o que eu amo... Amo as barreiras, amo os fãs, amo estar perto do público... É incrível estar lá.

A performance ousada tornou Michelle uma figura pública e folclórica nas principais competições de atletismo. Em suas redes sociais, ela compartilha parte de sua rotina com os fãs. No Instagram, por exemplo, tem mais de 130 mil seguidores. Mesmo assim, a barreirista ainda se surpreende com a atenção que recebe.

 Eu achei muito curioso dar essa repercussão toda, mas tem sido incrível desde então. Foi simplesmente uma manifestação do quanto eu estava empolgada naquele momento e acabou sendo algo que me abriu muitas portas, me deu oportunidades. Até ali eu era uma boa barreirista entre os juvenis, e agora estou entre as profissionais, correndo ao lado de algumas das melhores.

Do Mundial Junior para cá, os resultados de Michelle como profissional foram suficientes para mantê-la entre as principais atletas da Austrália. Em Pequim, disputa um Mundial sênior pela primeira vez naCARREIRA. Nas eliminatórias, fez 13s02 e foi a quarta em sua bateria, classificando-se direto para as semifinais. Ficou radiante. Mas, para a sequência da competição, a aussie espera se superar.

- Foi incrível. Esperei tanto tempo por isso e estar ali, em frente à torcida, foi incrível. As primeiras barreiras foram muito boas, depois cai um pouco no meio. Mas fiz o que precisava para me classificar. Estou realmente muito feliz de estar nas semifinais.No aquecimento me senti bem como nunca, infelizmente não consegui replicar isso 100% na corrida, mas estou muito animada do mesmo jeito. Espero muito conseguir fazer meu melhor tempo da vida nas semifinais, talvez na casa de 12s8 ou 12s7.