Recordista de ouros em Cuba, Yunidis se inspira em Fidel em volta após filho.

30/10/2015 15:54

Atleta que perdeu braço em acidente de carro na infância usa Mundial como treino de para 2016 e aumenta coleção de pódios quase sem treino: "Ser mãe e atleta é difícil".

Nunca nenhum uma atleta de Cuba foi mais vitoriosa do que Yunidis Castillo. Com três Paralimpíadas e cinco ouros no currículo, com destaque para os três recordes mundiais em Londres 2012, a cubana de 28 anos ostenta em sua coleção oito títulos em Mundiais. "Rainha da Velocidade", "A Bala" e "Filha do Vento" são alguns dos seus apelidos. Mãe de primeira viagem, ela teve menos de cinco meses para se preparar para o Mundial Paralímpico de Atletismo em Doha, no Catar, mas não decepcionou. Conquistou mais um ouro, nos 200m T47, além de uma prata nos 400m e outra no salto em distância F47. 

- Os tempos que eu fiz aqui sequer chegam perto das minhas marcas. Mas ter conquistado medalhas foi extraordinário. Tive pouco tempo para treinar, então, fui melhor do que imaginava. Ser mãe é atleta é muito difícil. Quando o bebê é pequeno, ele precisa de você a todo o instante e de coisas que apenas a mãe sabe fazer. Não pude fazer uma preparação completa. Costumo treinar cinco horas por dia, dependendo da competição, porém, me dedicava só por uma hora. Como eu fiz cesariana, parei por quatro meses. Tinha que me fortalecer, perder peso e não pude trabalhar o suficiente, como nos músculos abdominais, que é muito importante. Mas estou muito feliz - avaliou a cubana, mãe de Gabriel, de 10 meses, com quem deixou sob os cuidados da avó.

As suas maiores inspirações são Jesus Cristo, o seu maior herói, a cubana Ana Fidelia Quirot, duas vezes campeã olímpica e mundial nos 800m, e Fidel Castro, que ela "admira pela forma com que lutou pelos seus ideais". E foram eles que a fizeram ter forças para deixar o filho recém-nascido e a retornar aos Mundiais em grande estilo, mesmo sem ter tido tempo para se preparar.

Os tempos que eu fiz aqui sequer chegam perto das minhas marcas. Mas ter conquistado medalhas foi extraordinário. Tive pouco tempo para treinar, então, fui melhor do que imaginava. Ser mãe é atleta é muito difícil. Quando o bebê é pequeno, ele precisa de você a todo o instante e de coisas que apenas a mãe sabe fazer. Costumo treinar cinco horas por dia, dependendo da competição, porém, me dedicava só por uma hora. Como fiz cesariana, parei por quatro meses. Tinha que me fortalecer, perder peso e não pude trabalhar o suficiente. Mas estou muito feliz"  
Yunidis Castillo

Ídolo nacional em Cuba, Yunidis usou a competição em Doha como um treino de luxo para os Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e admite que não esperava ir tão longe.

- Eu não imaginava que iria correr os 400m, mas o fiz, pois é parte da minha preparação para o Rio 2016, o meu maior objetivo no momento. As minhas provas mais fortes são os 200m e os 100m. Me sinto muito bem. Depois da maternidade, as Paralimpíadas são o principal foco da minha vida. É um pouco sacrificante estar longe do Gabriel, mas o sei da importância deste campeonato para o futuro. Eu ganho muito apoio do meu país e espero retribuir à altura.

Nascida na província de Santiago de Cuba, a atleta perdeu o seu braço direito em um acidente de carro quando tinha 10 anos. Se arriscou no judô, mas, após um longo processo de recuperação, ela se encontrou no atletismo, em 2000. 

Uma das mais rápidas atletas paralímpicas do mundo, Yunidis faturou uma trinca de ouros (100m, 200m e 400m) no Mundial de 2013, em Lyon, na França, façanha repetida em Christchurch 2011, na Nova Zelândia, e ainda nos Jogos de Londres 2012.

Um dos segredos de suas láureas pode ser resumido em duas palavras: Miriam Ferrer. Treinando de Yunidis desde 2004, ela provoca na atleta uma espécie de devoção oculta. Recorre à técnica não só para assuntos relacionados ao esporte, como para a vida. Carinhosamente, chama a sua mentora de "mami" ou "mama". Ela é uma das joias de Ferrer, que ainda conta em seu plantel com nomes como Omara Duran, a mais rápida do mundo (T13). A treinadora já trabalhou com diversos atletas olímpicos do país, mas agora se dedica ao esporte paralímpico. 

- Estou muito contente e satisfeita com a Yunidis. Acredito que nenhuma atleta no esporte convencional consiga fazer o que ela fez aqui sem treinar. Ela compete em provas muito fortes tanto para atletas com e sem deficiência. Eu nem esperava que a Yunidis fosse correr. A prata que ela conquistou nos 400m foi como um ouro. Ela tem muita vontade e determinação. Com a  maternidade, ela passou por muitas dificuldades. Veio para cá quase sem poder trabalhar. É um talento. E esta é uma receita que não tem segredo. É trabalhar, trabalhar e trabalhar.