Rosinha busca novo índice e põe fé em reconhecimento por vaga no Parapan

27/04/2015 05:38

Campeã em Sydney melhorar marca no arremesso de peso, já que a delegação brasileira de atletismo possui mais atletas com aptos do que o limite máximo permitido.

 
No pescoço de Rosinha pendem vários cordões de prata, e três deles têm pingentes com imagens de Jesus Cristo e de São Jorge. Os símbolos que a pernambucana carrega para onde quer que vá representam a fé na vida e em seu recomeço no esporte. Liberada desde janeiro das sessões de quimioterapia que trataram um linfoma, a atleta tenta se provar merecedora de uma vaga na delegação do Parapan de Toronto. Além de buscar o índice do evento, ela precisa convencer a comissão técnica brasileira de que pode brigar por medalhas no Canadá.Rosinha voltou a competir ainda no ano passado, na reta final de seu tratamento. Mesmo sofrendo com os efeitos colaterais, enfrentou o próprio corpo para vencer no arremesso de peso e no lançamento de disco. Na etapa Circuito Regional em Curitiba, a campeã paralímpica em Sydney conseguiu superar o índice para os Jogos Parapan-Americanos no arremesso de peso (marcou 7,71m, acima dos 7,50m exigidos). Ter batido a marca, no entanto, ainda não é suficiente para Rosinha carimbar o passaporte. Isso porque o Brasil poderá contar com uma delegação de no máximo 45 atletas no evento, e até o momento quase 70 já possuem índice em suas respectivas provas. Assim, a coordenação da modalidade no Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) vai priorizar aqueles que possuem maiores chances de conquistar medalhas. A lista será divulgada no dia 1º de junho.

Depois de competir no lançamento de dardo na quinta-feira e no lançamento de disco na sexta, Rosinha aposta todas as suas fichas no arremesso de peso, neste sábado. Será sua última chance de melhorar seu desempenho até o anúncio dos classificados para Toronto.

- Estou bem confiante. No disco (22,96m) e no dardo (15,35m) ficou complicado, mas no peso eu acho que vou conseguir. Faço sempre a oração de São Jorge e pedi muito a Deus para Ele me contemplar com um resultado muito bom aqui. Desde Sydney eu sempre peço a Papai do Céu para fazer o disco, o peso e o dardo voarem como as borboletas. Eu me apego muito na minha fé. Se não fosse ela, depois de tudo o que eu passei, eu não estaria aqui.

Acostumada a ser referência no Brasil nas provas de campo, Rosinha agora pena mais para se destacar devido à junção de classes. Como o número de atletas é pequeno, vários eventos unem competidoras com diferentes graus de deficiência. Nessa conta, a classe F57, à qual a pernambucana pertence, acaba enfrentando um desafio maior diante de competidoras com menos limitações de mobilidade.Acho que complica muito essa junção de classes para a nossa, que é a mais alta. Mas sempre depende da quantidade de atletas e depende muito das classes “baixas” (de atletas com menor grau e deficiência). Se uma de outra classe for muito boa vai complicar para as F57. Fica bem mais puxado para conquistar uma medalha.

Quatro anos atrás, nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara, Rosinha foi responsável por conquistar duas das 60 medalhas brasileiras no atletismo. Ela faturou ouro no lançamento de disco e bronze no arremesso de peso na junção das classes F57 e F58.