Rússia anuncia suspensão de mais duas medalhistas olímpicas por doping

31/01/2015 10:11

Depois de punir cinco marchadores, Agência Antidoping Russa divulga pena a Tatiana Chernova e Yuliya Zaripova, que pode perder ouro dos Jogos de Londres 2012.

 
O atletismo da Rússia passa por uma crise de doping. Poucos dias depois de punir cinco atletas da marcha - três deles campeões olímpicos -, a Agência Antidoping Russa (Rusada) anunciou, nesta sexta-feira, a suspensão de mais duas medalhistas olímpicas. Yuliya Zaripova e Tatiana Chernova foram flagradas pelo passaporte biológico, o método inteligente implantado pela Wada (Agência Mundial Antidoping), que consegue detectar o uso de substâncias proibidas mesmo que elas já tenham sido excretadas do organismo. Zaripova deve perder o ouro conquistado nos 3.000m com obstáculos dos Jogos de Londres, em 2012.Zaripova tomou dois anos e meio de gancho, enquanto Chernova teve uma suspensão de dois anos - as punições são retroativas a julho de 2013. A Wada ainda pode recorrer e solicitar penas mais pesadas.

A Rusada informou que o passaporte biológico de Zaripova apresentou resultados anômalos. Ela não compete desde julho de 2013. A atleta justificou com uma lesão a ausência no Mundial de Moscou, em 2013, e depois interrompeu a carreira para ser mãe. A Rusada julgou que ela deve ter todos os resultados anulados nos períodos entre 20 de junho e 20 de agosto de 2011 e 3 de julho e 3 de setembro de 2012. Assim, ela continua como campeã mundial de Daegu 2011, mas perde o título olímpico. Se a pena for confirmada em última instância, a tunisiana Habiba Al-Ghribi-Boudra deve herdar o ouro.

Chernova, por sua vez, teve resultado analítico adverso para um anabolizante não divulgado durante o Mundial de Berlim, em 2009. Ela perdeu os resultados entre 15 de agosto de 2009 e 14 de agosto de 2011. Assim, ela mantém o bronze conquistado no heptatlo das Olimpíadas de Londres.

Com os dois casos, já chega a 25 o número de atletas russos flagrados no doping desde a implantação do passaporte biológico, em 2009. No mês passado, a imprensa europeiadenunciou vários casos de doping e corrupção no atletismo russo. A campeã olímpica dos 800m nos Jogos de Londres 2012, Maria Savinova, e a tricampeã da Maratona de Chicago, Liliya Shobukhova, foram acusadas pelo canal de televisão alemão ARD e pelo jornal esportivo francês L'Equipe de serem as principais envolvidas em casos de uso de substâncias proibidas. 

Chamado de “método inteligente”, o sistema de passaporte biológico chega para somar eficiência ao já utilizado teste de urina e pode detectar o uso de substâncias proibidas mesmo que elas já tenham sido excretadas do organismo. Foi implementado em 2009 pela Agência Antidoping Mundial (Wada). O monitoramento de exames dos atletas facilita a detecção direta e também indireta de métodos dopantes a longo prazo. A partir desta perspectiva, mesmo que a substância em si não seja encontrada no teste, os efeitos colaterais provocados por ela se tornam aparentes no organismo. Normalmente, as substâncias proibidas permanecem no corpo apenas por um período curto, o que dificulta sua detecção. No entanto, os efeitos delas ficam perceptíveis por mais tempo, assim são facilmente diagnosticados no perfil genético.