Sem Pistorius, Alan defende títulos em Doha após ano sabático e não vê rivais.

24/10/2015 15:19

Campeão mundial nos 100m, 200m e 400m, velocista traduz momento em tatuagem: "Brasileiro precisa de lembranças, e eu vou fazer lembrarem o que fiz e posso fazer".


“Fast”. “Strong”. As palavras “rápido” e “forte”, eternizadas em uma tatuagem no pescoço, refletem o espírito de Alan Fonteles em seu retorno às pistas de atletismo. Depois de se tornar um dos maiores atletas paralímpicos do mundo, seja pela histórica vitória sobre o sul-africano Oscar Pistorius nos 200m dos Jogos de Londres 2012, pela classe T43/44, ou pelos ouros no Mundial de Lyon 2013, nos 100m, 200m e 400m, o velocista paraense sentiu que precisava de um descanso. Se deu ao luxo de tirar um ano sabático no auge de sua forma, mas nunca se desesperou ou pensou que poderia ficar para trás de seus rivais. Mesmo afastado, não teve suas marcas superadas por outros brasileiros e usou a desconfiança alheia como combustível. 

No Parapan de Toronto, voltou em grande estilo, com o ouro nos 200m e a prata nos 100m. Mas o seu maior desafio nesta temporada ainda está por vir. Em Doha, no Catar, Alan defende os seus três títulos no Mundial de 2015, um importante passo rumo ao Rio 2016.

- Eu fiz essa tatuagem na minha volta e eu espero que dê sorte. Achei que tinha tudo a ver com o recomeço dos treinos e a preparação para o Mundial. Muita gente não acreditou em mim. Estar em um Mundial não é para qualquer um. O esporte paralímpico cresceu muito no Brasil. Ficaram atletas que fizeram índice, e esta é a certeza de que eu não estou tão mal assim. Vim defender os meus títulos. Sei que será um campeonato muito forte e eu espero fazer o meu melhor já em preparação para 2016. Quero deixar o meu nome na história novamente. Me motiva o fato de que muitos esqueceram o que eu vivi. O brasileiro precisa de lembranças a todo o momento, e eu vou fazer todos lembrarem o que eu fiz em 2013 e posso fazer no Catar em 2015 - disse Alan, ainda recordista mundial nos 200m.

Sem a presença de Pistorius, que cumpre prisão domiciliar após ter assassinado a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, Alan chega ao Mundial como o adversário a ser batido. Nem o americano Richard Browne, apontado como seu maior rival em Doha, ou até mesmo o forte calor do Oriente Médio, são obstáculos para o brasileiro, que transborda confiança. 

- No momento em que eu entro na pista, eu não olho adversários ou quem está do meu lado, eu olho a minha corrida e o tempo que eu preciso fazer. Eu corro contra o cronômetro. Se alguém estiver disposto a me ganhar, vai ser o momento. Estou preparado e vou fazer o melhor. Não importa quem estiver contra mim, eu vou correr para ganhar sempre. Eu me preparei da melhor forma possível. O Mundial será um grande passo para 2016. Estou bem, forte e quero fazer o meu melhor. Agora é só esperar começar para poder competir bem. Estou bastante confiante. 

Ao longo do sabático ano de 2014, Alan aproveitou para dar uma pausa na rotina árdua de um atleta de alto rendimento e se dedicar mais à família. Procurou não competir, mas dividiu o seu tempo entre os treinos no BMF/Bovespa, em São Caetano, e no Núcleo de Alto Rendimento, em São Paulo, e a vida em casa ao lado da mulher, Lorranny. O período de descanso serviu como aprendizado e ajudou em seu amadurecimento tanto no âmbito profissional como no pessoal. 

- Eu aprendi bastante nesse ano sabático. Aprendi a fazer as coisas com amor, do jeito que gostamos e a ter mais tempo para a minha vida pessoal. A idade fez com que eu visse as coisas de uma forma diferente. Hoje, me sinto mais centrado e maduro. Acredito que ganhei mais tranquilidade de competição também. Em 2013, eu estava bem apreensivo, até pelo fato de ter vencido as Paralimpíadas no ano anterior. 

 

Após o Mundial, Alan terá 10 dias de descanso até retomar os treinos de olho em 2016. Ele fará uma viagem à Holanda com a esposa e, em seguida, volta ao Brasil. 

- Vou descansar depois do Mundial para voltar melhor para a temporada do ano que vem. Depois de viajar com a esposa, volto a treinar. O segredo é treinar cada vez mais e manter uma alimentação regrada. O Mundial vale muito, mas 2016 vai ser bem melhor, e eu quero chegar na melhor forma física que eu já estive. Melhor do que 2012, 2013 e 2015 - finalizou.