Série "Talento" vai ao Quênia para desvendar os segredos dos corredores

09/01/2016 11:26

Esporte Espetacular vai até o país mais dominante em provas de média e de longa distância no mundo para tentar entender as razões do sucesso esportivo queniano.


Onde estão os corredores? A pergunta é inevitável depois de uma tarde serpentando por Nairóbi. Cruzamos parques. Praças. A pista de atletismo do estádio Nyayo, o principal da capital. E nada de gente correndo.  

É o primeiro mito que cai por terra na nossa jornada para tentar entender as razões do sucesso esportivo queniano. Estamos, sim, na pátria da corrida, o país mais dominante em provas de média e de longa distância do mundo. Esperávamos ver atletas, profissionais e amadores, praticando a modalidade favorita da população em todos os cantos. Mas não é bem assim. Joseph Kipkosgei, empresário e treinador, dá risada quando contamos da nossa surpresa. E faz cara de quem já está cansado de responder a mesma pergunta.

- Vocês, forasteiros, chegam sempre com o mesmo pensamento, achando que todos os quenianos correm. Mas nós, quenianos, sabemos que quem corre são os kalenjin, diz Joseph.

Os kalenjin são uma tribo que representa 12% da população do país, mas respondem por 80% dos corredores de elite. Não dá pra entender o fenômeno queniano nas corridas sem conhecê-los. Joseph é kalenjin. Sabe onde encontrá-los. E aceita nos guiar nessa viagem.

 

Partindo de Nairóbi, dirigimos sete horas morro acima, para uma região conhecida como Vale do Rift. É lá que estão cidades como Eldoret e Iten, berço dos grandes campeões. Chegamos tarde da noite e Joseph pede que fiquemos prontos cedo, 5 horas da manhã. Diz que o esforço vai valer a pena.

Foi cirúrgico. Assim que o sol começa a se erguer no horizonte já é possível avistá-los. São grupos enormes, surgindo de todos os lados, rasgando as estradas de terra da região. Não é preciso entender muito de corrida pra perceber que o ritmo deles é alucinante, muito diferente do que estamos costumados a ver.

A partir dali, começamos a descobrir que muitas das visões que tínhamos sobre os corredores quenianos estavam erradas. Que aqueles atletas que sempre vemos sobrando na São Silvestre ou vencendo as Olimpíadas com extrema facilidade tem uma história única, especial e surpreendente. Você poderá conhecê-las no Esporte Espetacular deste domingo, na estréia da série “Talento”. Não perca.