Sete campeões da Maratona de Londres estão sob suspeita de doping.

09/08/2015 13:40

De acordo com "Sunday Times", um terço dos 24 vencedores nos últimos 12 anos tem amostras de sangue sendo investigadas. Diretor da tradicional prova critica IAAF.

Mais um capítulo sobre a polêmica de doping veio à tona. Na edição deste domingo, o jornal "Sunday Times" traz uma reportagem mostrando que quase um terço dos 24 vencedores (homens e mulheres) da Maratona de Londres, nos últimos 12 anos, está com amostra de sangue suspeita. Além dos sete primeiros lugares, seis segundos e sete terceiros estão tendo seus exames analisados, de acordo com o banco de dados vazado pelo o veículo. No entanto, nem todos os testes foram realizados no período das maratonas. Campeões das provas americanas de Chicago, Nova York e Boston também estão sob análise.

Em um comunicado oficial, o chefe-executivo da Maratona de Londres, Nick Bitel, disse que os organizadores da corrida estão "muito preocupados" com as acusações e, em uma entrevista à rádio local Five Live Sportsweek, criticou a IAAF.

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- Esta história realmente é sobre o fracasso da IAAF para tomar medidas eficazes. Estamos desapontados. Estamos fazendo mais do que ninguém para lutar contra o doping no nosso esporte. Nós fomos as primeiras pessoas a pedir os exames de sangue e, provavelmente, somos o único evento no mundo a testar todos os atletas.

Bitel ainda revelou que, embora os organizadores estejam pagando "milhares de libras" pelos testes, não foram informados sobre os resultados pela IAAF. 

- Nós acreditamos que existem pessoas em nosso esporte que estão trapaceando e, todo mundo, tem um papel a desempenhar para proteger aqueles que não trapaceiam. Nós continuamos a estar na vanguarda das medidas antidoping para os corredores de maratona, assim como somos determinados a fazer da maratona um porto seguro de doping. Mas não podemos fazer tudo isso sozinhos e dependemos muito da IAAF - reiterou Bitel, em nota oficial.

Na sexta-feira, a Agência Mundial Anti-Doping (WADA) anunciou uma investigação urgente sobre a polêmica. Medalhista de ouro olímpico, o britânico Mo Farah prometeu publicar seus próprios exames de sangue para provar que está limpo. 

Entenda o caso

Documentos publicados na madrugada do domingo (Brasília), dia 2 de agosto, pelo jornal inglês “Sunday Times” e pela emissora alemã “ARD/WRD” apontaram suspeitas de que a IAAF estaria encobrindo centena de casos de doping. As publicações tiveram acesso a 12 mil exames de sangue de cinco mil atletas e revelam o "alcance de trapacear" por parte dos mesmos nos principais eventos do esporte pelo mundo.

O que mais chama a atenção é um terço das medalhas (146, sendo 55 de ouro) de eventos, como Mundiais e Olimpíadas, entre 2001 e 2012, parou no peito de competidores com testes suspeitos. Dez dessas 146 medalhas foram distribuídas nos Jogos de Londres, em 2012. A Rússia teria o recorde nessa nada honrosa lista, com 80% de seus medalhistas em condições suspeitas. Nenhum atleta teve seu nome divulgado e nem resultado contestado.