Sete maratonas, sete dias: curitibano desafia extremos ao redor do mundo

11/01/2015 21:52

Marcelo Alves vai participar de evento que propõe correr sete maratonas, em sete dias e em sete diferentes continentes. Ele é o único sul-americano a participar.

 

O paranaense Marcelo Alves vai encarar um desafio inédito a partir da próxima semana. Ele disputará sete maratonas em apenas sete dias e passando por sete diferentes continentes. O atleta se junta com outros 11 atletas selecionados pela organização do "World Marathon Challenge", que vão correr do frio da Antártica ao calor de Dubai, em meio ao deserto dos Emirados Árabes.

 O desafio pretende testar os limites dos atletas participantes em uma desgastante viagem pelo mundo. A cada dia e a cada prova, o grupo corre os 42 quilômetros de uma maratona e, sem tempo para descanso, embarca em um avião rumo ao próximo destino. As provas começam no frio da Antártica, passam pelo Chile, Estados Unidos, Espanha, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e terminam na Austrália. O evento, inclusive, deverá entrar para o Guinnes Book.

- A maior dificuldade vai ser a recuperação. Você corre e pega avião. Não consegue descansar, não consegue ir ao hotel para dormir. É tudo no avião. E a dificuldade aumenta porque não é no nível do mar. É dentro de um avião, com a cabine pressurizada. Então, precisa ter uma atenção maior ainda - falou o curitibano em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com.

Para o "World Marathon Challenge", ele calcula que vai terminar a série de maratonas com até oito quilos a menos. Pela falta de tempo entre uma prova e outra, a alimentação será de responsabilidade da organização e das companhias aéreas. Para completar, cada atleta deverá levar sua própria suplementação. Para ajudar na recuperação muscular, sempre que não estiver correndo, Marcelo usará uma roupa de compressão, que ameniza as dores no corpo após o esforço físico prolongado.Marcelo é o único sul-americano selecionado para participar em razão de sua experiência de já ter corrido na Antártica, onde será a primeira prova, no dia 17 de janeiro. Ele e os outros 11 maratonistas embarcam na segunda-feira para o Chile para um período de adaptação ao frio. 

- A prova mais difícil das sete vai ser na Antártica, por ser a uma temperatura de 30 graus negativos e na neve. E correr na neve é o mesmo que correr na areia, é muito difícil. Como comparação, é uns 70% mais difícil do que correr em uma rua normal. A experiência de já ter corrido a Ice Marathon ajuda bastante, principalmente em relação aos ajustes dos equipamentos. Eu vi, por exemplo, muita gente que saiu muito agasalhado, o corpo esquentou muito, e eles acabaram se desidratando.Treinamento forte para suportar o desgaste físico e emocional

Para concluir as sete maratonas, Marcelo Alves tem feito um treinamento rigoroso. Ele raramente descansa e costuma percorrer um total de 180 quilômetros por semana. Corre, inclusive, na pista de areia do Jockey Clube do Paraná. Com o objetivo de simular a logística entre uma corrida e outra, de voar, desembarcar e já correr, ele participou de duas provas seguidas no ano passado.- O máximo que eu fiz como parte do treinamento foi, no começo de novembro, ter corrido a maratona de Atenas, na Grécia, em um domingo e a maratona de Curitiba no domingo seguinte. Nos dois casos, eu cheguei na cidade no sábado e corri no dia seguinte. Fiz isso já para simular, mesmo que de forma reduzida, o que eu vou enfrentar agora com essas sete corridas - completou.

Administrador de empresa e pai de família, Marcelo Alves, hoje com 41 anos, começou a levar a corrida a sério há apenas seis com o sonho de disputar a Ice Marathon, na Antártica. Depois não parou mais em provas cada vez mais radicais, entre elas, a maratona no Polo Norte, no monte Everest, na corrida mais alta do mundo, e a Jungle Marathon, em plena selva amazônica.

Marcelo já escreveu um livro sobre o tema - “Extremos, a trajetória do primeiro brasileiro a correr nos dois polos” e virou palestrante. Preparado para o maior desafio da carreira, o paranaense afirma que o "World Marathon Challenge" surgiu de forma natural:

- Ser um dos escolhidos para participar dessas sete maratonas foi um processo natural. Eu tinha o sonho de correr na Antártica. Aí foram surgindo outras e surgindo outras... Não parou. Corri no Polo Norte, na Amazônia, que é considerada a maratona mais difícil do mundo, no Everest, que é a mais alta... Aí eu recebi o convite da organização do evento, foi algo natural.