Sobrevivente da guerra do Afeganistão se reinventa no atletismo paralímpico.

29/10/2015 06:51

Atleta biamputado que encantou o príncipe Harry, David Henson ainda tem pesadelos com bombas, mas prefere não se lamentar pelo passado e vislumbra ir ao Rio 2016.


Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, David Henson recebeu um chamado que iria mudar a sua vida. Recrutado pelo Exército da Grã-Bretanha para a Guerra do Afeganistão, o soldado perdeu parte das pernas em uma mina na cidade de Lashgar Gah, na província de Helmand, em 2011. Ele comandava uma tropa para retirar explosivos caseiros e, assim, permitir que família afegãs voltassem às suas casas. Foram meses de reabilitação até reaprender a andar, mas ele nunca se deixou levar pela depressão. Seria um insulto aos outros recrutas que não sobreviveram à guerra, segundo suas próprias palavras. Hoje, Dave é um herói nacional. No Mundial Paralímpico de Atletismo em Doha, no Catar, ficou em sétimo lugar nos 200m T42 (amputados) e pôde realizar um dos seus maiores sonhos.

Minha maior conquista foi ter chegado a um Mundial. Acredito que há sempre oportunidade na adversidade. Certamente, no que diz respeito ao esporte paralímpico, é uma oportunidade. Logo que eu tive de ser amputado, parecia o fim. A vida ficou um pouco miserável, mas a oportunidade que eu ganhei foi fantástica. Passei um bom tempo com o Exército no Afeganistão, quando perdi as pernas com uma bomba. Comecei a praticar esportes com os militares e estou aqui agora (risos) - contou Henson, que tem como espelho Richard Whitehead, campeão e recordista mundial dos 200m, com a marca de 24s10.  

No ano passado, Dave venceu a prova que é sua especialidade no "Invictus Games", evento multiesportivo paralímpico, que reúne veteranos e outros solados feridos em combate. No Parque Olímpico da Rainha Elizabeth, em Londres, ele foi apresentado ao príncipe Harry, que se sensibilizou com a sua história. O britânico admite ainda ter pesadelos com explosões, mas prefere olhar sempre para o futuro e não se lamentar pelo passado.

Eu tenho muita sorte de estar onde estou, por uma série de razões. A primeira é a de que não estou dentro de uma caixa embaixo da terra, o que, obviamente, é uma grande coisa. Então, eu tento sempre seguir em frente e aproveitar ao máximo cada momento. Tenho sorte por estar nesta posição em que eu represento novamente o meu país. Isto é muito importante para mim - contou o atleta, que praticava natação e vôlei.

Os anos que serviu o Exército Britânico o fizeram ter uma disciplina rigorosa. Sempre soube lidar bem com a pressão e o trabalho duro. Usou o esporte como forma de se recuperar do trauma vivido no Afeganistão. Antes do acidente, a corrida já era uma válvula de escape para Henson. Ele só não tinha a dimensão de onde poderia chegar com suas próteses. E o próximo desafio já foi traçado.

- Meu maior sonho é ir para os Jogos Rio 2016. Seria maravilhoso. Eu gosto muito da vida que eu levo, de praticar esportes. As pessoas gostam muito de esporte paralímpico na Grã-Bretanha, tanto quanto o convencional. Nos Jogos de Londres 2012 o país parou. Acho o esporte paralímpico ainda mais fantástico. O atletismo me fez buscar novos objetivos e sonhos. Aos poucos, estou conquistando. Eu sempre treinei duro e tive bastante disciplina. Me sinto muito bem.