Sul-africanos abrem portas para volta de Oscar Pistorius: "Deveriam soltá-lo"

25/08/2015 17:40

Inspirados pelo velocista biamputado, atletas dos 400m torcem por retorno do astro.

O Ministro da Justiça da África do Sul barrou, na última semana, o pedido de liberdade condicional para Oscar Pistorius. Considerou que não havia base legal para tirar da prisão o atleta paralímpico, que cumpriu até o momento apenas 10 meses dos cinco anos a que foi condenado pela morte da namorada. Entre a delegação sul-africana que disputa o Mundial de atletismo, no entanto, a imagem do herói nacional nas pistas segue inabalada. 

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Pistorius foi detido no dia 14 de fevereiro de 2013 em sua casa, em Pretória, sob suspeita de ter assassinado a modelo Reeva Steenkamp. Em depoimento, o atleta alegou ter ouvido barulhos e, pensando tratar-se de um ladrão, efetuou disparos. Após pagamento de fiança, o sul-africano aguardou o julgamento em liberdade. Cerca de 20 meses após a noite do crime, ele foi condenado a cinco anos de prisão por homicídio culposo. A promotoria convenceu os juízes de que a execução havia sido premeditada após uma discussão do casal.

Oscar Pistorius tornou-se mundialmente famoso por travar batalhas políticas com a Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês) e com o Comitê Olímpico Internacional (COI) pelo direito de correr em Mundiais e Olimpíadas junto aos atletas sem deficiência. As entidades mantiveram a proibição por anos, alegando que as próteses que ele usava lhe dariam vantagem em relação aos outros competidores. 

Biamputado desde os 11 meses de idade devido à ausência congênita da fíbula em ambas as pernas, Pistorius corria com próteses feitas de fibra de carbono. Tornou-se um multicampeão paralímpico e, em 2011, finalmente foi liberado para corre no Mundial de Daegu em meio aos atletas olímpicos. Nos 400m, foi até as semifinais. No revezamento 4x400m, disputou as eliminatórias, mas não foi escalado para a final. Mesmo assim, levou para casa a medalha de prata conquistada por seus compatriotas. Em Londres 2012 também compôs o revezamento, que desta vez ficou fora do pódio.

Pistorius hoje tem 28 anos e segue em batalha judicial para libertar-se da prisão. Quando sair, terá que enfrentar o Comitê Paralímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês) se quiser voltar a competir antes de 2019. Na época de sua condenação, o IPC afirmou que ele estaria inelegível até lá. Para os Jogos de Tóquio, em 2020, ele estará com 33 anos. Se ainda tiver forma suficiente para manter-se em alto rendimento, o “Blade Runner” será bem recebido. 

- Esporte é esporte. Todos vivemos no mesmo mundo, comemos as mesmas coisas, bebemos a mesma água. Se os paralímpicos sentem que devem competir com atletas sem deficiência, quem sou eu para ir contra o sonho de alguém. Se ele sair e for produtivo... Em um evento como o revezamento é preciso ter confiança no time, e se ele tiver capacidade de dar seu melhor e ser competitivo, será mais do que bem-vindo para se juntar a nós. Ficarei mais do que feliz em tê-lo na equipe – disse Van Niekerk.

 

Eliminado ainda na fase classificatória dos 400m em Pequim, Barend Koekemoer, de 20 anos, acredita que o astro paraolímpico já pagou pelo crime.   

- Ele é um grande atleta, para mim foi uma inspiração. Acho que deveriam soltá-lo. É um atleta que sempre deixou nossa nação orgulhosa, que representou bem nosso país – disse.

Também atleta dos 400m, Wayde van Niekerk avançou à semifinal da prova com o quarto melhor tempo geral e é um dos favoritos na briga pelo título. Político, o atleta de 23 anos evitou comentar sobre as questões criminais envolvendo Pistorius, mas mostrou-se receptivo caso o compatriota desejeRETOMAR a carreira como velocista. 

- Se falarmos de Oscar como atleta, ele foi uma inspiração para todos nós. É um dos caras que abriu as portas para nós, jovens atletas, seguirmos em frente acontecesse o que fosse. O que acontece em sua vida pessoal não me diz respeito, não posso falar por ele. Mas ele inspirou uma geração a correr pela África do Sul, ele me deu uma razão para querer correr pelo meu país. O que quer que aconteça na vida dele, desejo a ele tudo de melhor. Se ele sair e quiser voltar a correr, terá o apoio de todos nós.