Terezinha protesta de "onça", vai à final e Brasil garante dobradinha nos 400m.

22/10/2015 15:52

Jerusa Geber e Thalita Simplicio também avançam, e Brasil tem três representantes entre as quatro finalistas da prova no Mundial de paratletismo em Doha, no Catar.

A estreia do Brasil nos 400m T11 (cego total) do Mundial de paratletismo em Doha, no Catar, foi quase como uma "prova de suicídio". Debaixo de um sol forte e um calor de 35 graus, Terezinha Guilhermina se vestiu de onça como forma de protesto por começar justo na disputa mais sacrificante. Ao lado do guia Guilherme Santana, a velocista ainda compete nos 100m, 200m e no revezamento 4x100m. Sem perder o bom humor habitual, a maior medalhista do país em Mundiais - 10 pódios, sendo oito ouros e duas pratas - se viu prejudicada pela programação, no entanto, não tomou conhecimento das rivais na pista Suhaim Bin Hamad, no Catar Sports Club. Com tempo de 58s68, ela foi a mais rápida de sua bateria nas eliminatórias e se classificou para final com o segundo melhor tempo, atrás apenas da chinesa Cuiqing Liu (58s12). 

Jerusa Geber (1m00s89) e Thalita Simplicio (1m00s96) também se classificaram e garantiram a dobradinha brasileira no pódio, com três representantes entre as quatro finalistas nos 400m. A briga pela medalha de ouro está marcada para 11h52 (de Brasília) desta sexta-feira. Terezinha é a atual campeã mundial nos 100m, 200m e 400m e defende os três títulos em Doha.

- Usei a venda de onça como protesto aqui em Doha, porque colocaram os 400m antes de todas as provas e eles sabem que eu não gosto disso. Estou uma fera (risos), uma fera divertida e engraçada. A estreia foi boa, com um pouco de ansiedade, como sempre, mas, graças a Deus deu tudo certo. O calor desgasta bastante, mas os 400m em si já tem um fator de desgaste maior. A final será de tarde (16h52 pelo horário local), e eu acredito que o calor não estará tão forte. Vamos brigar pela medalha, vou estar melhor. Agora é ir para a banheira de gelo, fazer massagem e fisioterapia, beber muita água e dormir - disse Terezinha, usando uma venda estampada de onça e os cabelos enfeitados com pérolas e prendedores coloridos.

A prova foi emocionante. Fiquei uma semana parada para tratar a lesão, e consegui o que queria. Agora vamos ver o que vai dar na final. Pensamento positivo. Vamos Brasil!

Os outros representantes do Brasil no primeiro dia de disputas do Mundial são Jonas Licurgo (lançamento de disco F56), Mauro Evaristo de Souza (arremesso de peso F42), Daniel Martins (400m T20), Edson Pinheiro (200m T38), Felipe Gomes e Lucas Prado (100m T11), Ana Cláudia Silva (salto em distância T42), Diogo Ualison (100m T12), Alex Pires (1.500m T46), Alessandro Silva (arremesso de peso F12), Flávio Reitz (salto em altura T42) e Yohansson Nascimento (400m T47).

 

Jerusa foi uma das que mais sofreu com o calor, o ar seco e o clima desértico no Catar. A velocista mal conseguia falar, tamanho o desgaste. Mesmo com um período de sete dias de aclimatação, ela contou que não se sente preparada para as altas temperaturas do emirado. 

 - Foi horrível, muito calor. Não consigo nem falar, um calor insuportável... A garganta seca, clima de deserto. Chegamos uma semana antes da competição, mas foi pouco. Nem sei como eu fui, eu só corri. Foi o calor mais forte que senti na vida, insuportável, a competição deveria ser em outro país. Vou correr para a banheira de gelo e tentar me recuperar o mais rápido possível - disse a velocista, se equilibrando no guia, Felipe Veloso da Silva.

Thalita, por sua vez, mostrou um grande poder de recuperação ao avançar em primeiro em sua bateria. Há semana, ela sofreu uma lesão na parte superior da coxa esquerda em um tiro de 40m em um dos treinos em Doha. A paratleta se manteve afastada das pistas e fez um tratamento intensivo para tratar a perna, em uma corrida contra o tempo. Até a véspera, ela ainda não sabia se teria condições de competir.