Testemunha recorda morte de Reeva e diz que temeu suicídio de Pistorius

06/03/2014 14:14

Vizinho relata choro e reza do paratleta para salvar a namorada: 'Ele chorava e pedia pela vida de Reeva. Ele rezou para que Deus não a deixasse morrer'.

Momentos dramáticos foram revividos na Suprema Corte de Pretória, nesta quinta-feira, no quarto dia do julgamento de Oscar Pistorius. Vizinho do velocista biamputado, Johan Stipp contou como encontrou Reeva Steenkamp morta nas primeiras horas do dia 14 de fevereiro de 2013, na casa do campeão paralímpico, acusado de premeditar a morte da namorada. A testemunha, uma das primeiras pessoas a chegar ao local do crime, relatou choro, reza e tentativas de um desesperado Pistorius para salvar Reeva. Stipp disse que temeu um suicídio do paratleta, que alega ter confundido a namorada com um intruso.

A testemunha contou que foi acordada por três tiros - sabe-se hoje que Pistorius disparou quatro vezes contra a porta do banheiro. Stipp, que mora a 72m do local do crime, diz ter escutado gritos de uma mulher assustada e ter visto luzes na casa do paratleta, o que contradiz a versão de Pistorius. Por ser médico, o vizinho foi até a casa do campeão paralímpico para tentar ajudar Reeva.- Oscar Pistorius estava ajoelhado ao lado de Reeva. Eu lembro que a primeira coisa que ele disse foi: “Eu atirei nela. Eu pensei que ela fosse um intruso e atirei nela”. Eu notei sangue misturado com o que parecia tecido cerebral preso no cabelo de Reeva. Oscar ficou ao lado dela quase o tempo todo. Enquanto eu tentava determinar se era possível reanimá-la, ele chorava e pedia pela vida de Reeva. Ele rezou para que Deus não a deixasse morrer. Ele disse, enquanto rezava, que dedicaria sua vida a Deus se Reeva não morresse naquela madrugada. Ele definitivamente queria que ela vivesse - recordou Stipp.Segundo o médico, o pranto de Pistorius parecia sincero. O vizinho conta que o paratleta tentou salvar a namorada, pressionando os ferimentos e a ajudando a respirar. Stipp descreveu o campeão paralímpico como desesperado e temeu que ele se suicidasse.

- Eu notei que o Oscar estava subindo as escadas e perguntei ao Sr. Stander (da segurança do condomínio de Pistorius) se ele sabia onde estava a arma, porque estava óbvio que Oscar estava emocionado e muito chateado. Eu não sabia qual era a situação na casa, então pensei que talvez ele fosse se ferir - disse a testemunha.

Além do médico Johan Stipp, outro vizinho testemunhou nesta quinta-feira. Charl Johnson terminou seu depoimento e reafirmou ter ouvido gritos de uma mulher antes dos disparos. O advogado de defesa de Pistorius, Barry Roux, pressionou Johnson e sugeriu que ele e a esposa Michelle Burger - primeira testemunha a ser ouvida no julgamento - combinaram um roteiro para incriminar o paratleta. O vizinho rebateu alegando não ter motivos para isso e manteve seu relato.

O julgamento de Oscar Pistorius se estende até o dia 20 de março, mas pode ser prorrogado a pedido das partes para avaliações dos depoimentos. Caso seja considerado culpado por assassinato premeditado, o campeão paralímpico pode pegar de 15 anos a prisão perpétua, com direito a solicitar liberdade condicional depois de 25 anos.