Trio punido em escândalo de doping recorre de pena vitalícia junto ao CAS

01/02/2016 20:15

Ex-presidente da Federação Russa, ex-técnico de fundistas e filho de Lamine Diack tentam anulação de sentença. Entidade não comentará detalhes do caso no momento.

O Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) informou nesta segunda-feira que recebeu três apelações contra decisão da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) de banir de forma vitalícia três envolvidos no escândalo de doping de atletas russos

. Valentin Balaknichev, ex-presidente da Federação de Atletismo da Rússia (ARAF) e tesoureiro honorário da IAAF até 2014, Alexei Melnikov, ex-técnico chefe de corredores e marchadores de longa distância da ARAF, e Papa Massata Diack, ex-consultor de marketing da IAAF e filho do ex-presidente da entidade, Lamine Diack, pedem a anulação da sentença da IAAF. A análise do caso está em progresso, e o CAS não comentará mais detalhes do caso no momento.

À época, a comissão de ética da IAAF afirmou que o banimento era irrevogável e que o trio não poderia se envolver nunca mais em negócios ligados ao atletismo. 

- Essa é sanção. Qualquer castigo menor não responderia a gravidade dos delitos - informou a Comissão.

Diack, Melnikov e Balakhnichev estão relacionados, entre outras questões, com o valor de quase 600 mil euros (cerca de R$ 2,8 mi) repassados supostamente pela russa Liliya Shobukhova, vencedora da Maratona de Londres, que teria pago a quantia para esconder suas violações no código antidoping.

No início deste ano, a França emitiu um alerta internacional via Interpol para em busca de Papa Massata Diack. O alerta é baseado em um mandato emitido em dezembro. Com isto, Papa poderá ser preso caso deixe o Senegal, seu país natal.

Papa Massata é suspeito de corrupção e chantagem e é citado como um dos principais envolvidos no escândalo de doping russo. No início do mês, a agência de notícias Associated Press (AP) divulgou a participação do ex-dirigente em uma reunião em 2012 com um conselheiro de uma rede de televisão russa, o advogado Habib Cissé e o chefe da Federação de Atletismo Russa à época, Valentin Balakhnichev.

Após a reunião, Massata teria conseguido mais que triplicar a meta estipulada pela TV russa para obter os direitos de transmissão do Mundial de Moscou, passando-a de US$ 6 para US$ 25 milhões (mais de R$ 100 milhões). Um banco russo deu o suporte ao acerto.