Caio Bonfim celebra "legado olímpico": 1º treino da vida sem ofensas na rua

30/12/2016 13:34

Marchador obteve resultado histórico com quarto lugar na prova de 20km da Rio 2016.

 

Durante anos Caio Bonfim se acostumou uma rotina pesada. Não bastasse a dificuldade de marchar por quilômetros debaixo de sol ou de chuva, o atleta encarava diariamente ofensas homofóbicas durante os treinamentos nas ruas de Sobradinho, cidade onde mora no Distrito Federal. O quarto lugar na Olimpíada do Rio e a inédita visibilidade para expor o preconceito e derrubar mitos sobre a “rebolada” da marcha atlética, no entanto, surtiram efeito. Neste mês, pela primeira vez na carreira, Caio treinou sem ouvir qualquer xingamento.

Pode parecer uma observação estranha, mas para quem diariamente ouvia piadas de mal gosto foi uma mudança e tanto. Filho da ex-atleta Gianette Sena e do técnico João Sena, Caio cresceu cercado pela marcha e vem desenvolvendo seu potencial a olhos vistos. No ano passado, alcançou o melhor resultado do Brasil na prova de 20km em Mundiais de Atletismo – foi sexto em Pequim 2015, mesma marca de Erica Sena no feminino.

Em 2016, por pouco não se tornou o primeiro medalhista olímpico do país no esporte. Ficou em quarto lugar e comemorou muito. Aproveitou as entrevistas para desabafar sobre tudo o que teve que enfrentar durante sua preparação. Agora parece que a exposição deu resultado.

- Treinei em Sobradinho (cidade do Distrito Federal) e acho que foi a primeira vez que marchei e não ouvi nada, nada vezes nada. Até fiquei: “Caramba, hoje foi algo diferente”. Então fico muito feliz que a galera, mesmo que ache estranho, que não conheça, esteja respeitando porque entendeu. A Olimpíada ajudou nisso. Para mim é uma valorização. Na minha entrevista sobre o preconceito, que foi um desabafo, era sobre a minha cidade. É onde eu amo, onde quero estar. É de lá que quero essa valorização. Então conseguir marchar e as pessoas buzinarem aplaudindo, elogiando, vem o sentimento de que valeu a pena. Agora vamos fazer nascer novos atletas, novos cidadãos.A valorização dada pelo público enche Caio de orgulho, mas o atleta lamenta que o reconhecimento esportivo não tenha se refletido financeiramente. O marchador segue com apenas um patrocinador, que lhe fornece material esportivo desde antes da Rio 2016. Caio se sustenta com a verba do Bolsa Atleta, programa do Governo Federal.A valorização veio de outras formas. Você estar marchando na rua e não ser mais xingado, as pessoas pararem para falar com você. (...) Para mim isso foi muito bom. Mas claro que a gente não sobrevive sem o dinheiro, sem investimento. Não estou falando que quero ficar rico que nem jogador de futebol milionário, quero só oportunidade e apoio para que possa melhorar mais. Eu mostrei que tenho potencial. Me ajudem a potencializar isso. 

Se no campo profissional Caio ainda peleja, na vida pessoal ele vive seu melhor momento. O atleta de 25 anos aproveitou as férias pós-Olimpíada para casar-se com Juliana, dois anos mais jovem, e curtir a lua de mel no Caribe e os Estados Unidos. 

Na nova casa, também em Sobradinho, Caio agora conta com a ajuda da esposa para manter seus hábitos saudáveis e uma alimentação regrada. Antes a tarefa ficava a cargo da mãe, Dona Gianetti.

- A minha mãe que fazia almoço e tudo porque alimentação de atleta...  Como minha prova é muito longa eu tenho uma dieta de 4500 calorias, então tenho que comer muito. A Juliana é tranquila, ela que está me ajudando agora. Eu não sou bom de cozinha, e às vezes chego tão cansado que, se ela não me ajudar, vou comer mal. Tem também a parte de suplementação, e ela está sendo uma parceira porque essa parte não é fácil, não pode ter erro.

No momento, Caio está em fase de treinamento de base, para recuperar força e resistência. Sua estreia na temporada 2017 deve ocorrer apenas em março, na Copa Brasil de marcha atlética.

 


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